Iniciações Tibetanas – Alexandra David-Néel (PARTE II)

Julho 16, 2008

Aqui continuo a fazer algumas observações sobre o livro “Iniciações Tibetanas” :)

No Tibete é muito comum a escolha de um mestre para guiar o neófito em sua iniciação. “A erudição, a santidade e as profundas visões místicas de um lama, não são uma garantia, pensam os tibetanos, e seus conselhos são igualmente proveitosos para qualquer discípulo” (pág 19). Então o que determina a escolha perfeita de um mestre são os caminhos que o discípulo almeja percorrer. O mestre ideal será aquele que percorreu um caminho parecido com o que o neófito quer conhecer.

Um mestre pode recusar um neófito sem nenhuma explicação, ou exigir testes como queira. A autora não dá muitos exemplos desses testes, mas todas as vezes que fala deles cita a “crueldade” de alguns, como num ritual de certo grau de iniciação o neófito ter que engolir uma vela de 10cm de comprimento, e acesa. Cita também que as provações passadas por ele para chegar a ter que engolir uma vela acesa podem ter sido tantas, que a vela é uma besteirinha de nada.

Para os lamaístas “para se tornar eficaz o conhecimento (chesrab) , deve-se unir ao método, aos meios hábeis (thabs) conducentes à iluminação desejada.” Forma o binômio thabs-chesrab no qual o conhecimento –  chersab – é representado pela mãe, e o método - thabs - é representado pelo pai. ”É dessa forma que devem ser vistas as estátuas de casais enlaçados que se encontram nos templos lamaístas”(pág. 23).

Essas estátuas são chamadas Yab Yum (Yab é o masculino e Yum é o feminino):

Eis uma visão de sexo completamente diferente da que conhecemos. Um lama, se não tiver uma esposa para gerar um filho que seria seu sucessor na Doutrina a que pertence, pode exigir a geração de um filho por um de seus discípulos. O processo de geração desse filho me pareceu muito interessante:

  1. O lama fala ao neófito as características que deve ter a mãe da criança, são características que distinguem uma mulher-fada.
  2. Escolhida a mãe é realizado um ritual, uma espécie de casamento.
  3. O casal fica recluso por um tempo que pode ser de semanas até meses, e nesse tempo separados, ambos meditam e fazem preces para os deuses para que seja concebida uma criança iluminada e apta a ser líder de sua doutrina.
  4. Quando chega a hora da união do casal, há uma cerimônia na qual o casal finalmente consuma o casamento, dentro de um círculo mágico.
  5. Após o nascimento, o casal se separa para continuarem suas vidas religiosas, enquanto a criança fica sob responsabilidade do lama, que direcionará toda a educação dela para o propósito a que foi concebida.

Esse processo me lembrou muito a história dos livros “As Brumas de Avalon”, na qual irmãos se unem para a geração de um filho de sangue puro, sem saberem que eram irmãos, durante um ritual anual da fertilidade.

Esse livro da Alexandra David-Néel é cheio de surpresas a cada página, e já estou começando a me confundir com tantas palavras novas e difíceis de assimilar… São palavras tibetanas, que vem de um alfabeto de 30 letras e muitas delas não são pronunciadas! Brevemente.. a PARTE III!

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4 Comments Add your own

  • 1. Dalete  |  Julho 16, 2008 at 9:47 pm

    Brigado por ter visitado meu blog. :)

    Responder
  • 2. sandmanstarr  |  Julho 16, 2008 at 10:52 pm

    Bem interessante seu blog :D
    E obrigado pela visita no meu, adorei o vídeo :D

    bjos

    Responder
  • 3. GS Romero  |  Julho 17, 2008 at 5:04 am

    Concordo. Pra mim, A Tempestade é o melhor álbum do Legião.
    Obrigado pela visita :)

    Responder
  • 4. sandmanstarr  |  Julho 17, 2008 at 3:18 pm

    Eu fico imaginando mesmo como será o programa daquela mulher,
    deve ser uma viagem só.

    Vou ver se encontro algo no youtube :D

    =*

    Responder

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