A Maiêutica de Sócrates

Janeiro 5, 2009

Sócrates foi, sem sombra de dúvida, um dos Homens mais sábios que já passaram pela Face da Terra. Ainda o é, uma vez que suas idéias se perpetuam até hoje em nossa sociedade, já que ele mesmo dizia que o Sócrates  que seus discípulos conheciam ou deviam conhecer não morreria nunca, que a Idéia que ele  encarnava, não era dele, mas imortal e universal.

Foi um Homem simples, roupas nada ostentadoras, que adava por Atenas aplicando a maiêutica em suas conversas com o propósito de descobrir a Verdade, encontrar o saber. Considerava-se nada sapiente. Considerá-lo seria não o ser!!! Ele desmanchava os conceitos e definições alheias com perguntas. Desconstruía todas as construções com alicerces de vento, ia mais fundo. Quanto mais fundo ia, mais percebia que o Saber não tem fim.

Mas no que consiste a Maiêutica?

“A  Maiêutica  de Sócrates consiste em perguntar, em interrogar, em inquirir:  “O que   é isto? O que significa?”  E isto ele faz andando pelas ruas, pelas praças, indagando das pessoas.

Ao general ateniense que encontra – ele está preocupado em averiguar o que é a coragem  –  diz para si:  ”Aqui  está: este é quem sabe o que é ser corajoso, visto que é o general, o chefe.”  Aproxima-se e diz:  “Você que é um general do exército ateniense, tem que saber  o que é a coragem.”  Então o outro lhe diz:  “Mas é claro! Como não vou saber o que é coragem? Ela consiste em atacar o inimigo e nunca fugir.” Sócrates para,  pensa,  coça a cabeça e lhe diz:   “Sua resposta não é totalmente satisfatória.”  E faz ver ao general que muitas vezes é  preferível retroceder para atrair o inimigo a uma posição mais favorável para destruí-lo. O general concorda e dá outra definição ou complementa a anterior. E Sócrates  exerce, outra vez, sua crítica interrogativa e nunca está satisfeito com as respostas que vão sendo dadas.

Dessa forma, faz com que a definição inicial vá passando pelo crivo das indagações e aperfeiçoando-se por extensões e reduções até ficar o mais exata possível,  mas nunca a  ser  definitiva. Para a  Maiêutica, o conhecimento está latente no homem, só e necessário criar condições para que ele passe da potência ao ato, aflore, numa espécie de recordação, reminiscência. Educar no sentido verdadeiro e superior. Educação vem do latim educere, literalmente trazer para fora, sobressair, emergir do estado potencial para o estado de realidade manifestada.

Nos diálogos platônicos, que reproduzem  cenas da atuação de Sócrates,  nenhum deles chega a uma solução definitiva: todos se interrompem dando a entender que é preciso continuar perguntando, perguntando e continuar  encontrando dificuldades,  novos desafios e mistérios na última definição dada e que o assunto nunca se esgota. Esse método é típico de tudo que Platão  nos deixou  escrito nos diálogos socráticos.

Para Platão, quando não sabemos nada, ou aquilo que sabemos, o sabemos sem tê-lo procurado como a opinião, é um saber que não vale nada, mas quando queremos saber, aproximar-nos do conhecimento elevado, reflexivo, temos mais chances de compreender.  Opinião,  crença, doxa em grego, é o que pensamos que sabemos, mas não fundado no conhecimento racional, portanto, não é nada. A Dialética platônica  consiste exatamente na discussão de todos os aspectos,  todos os prós e contras de um determinado tema até que possamos depurá-lo e chegar perto de seu verdadeiro significado, autêntico, real e que ele chama de epistéme, ciência.”

No trecho retirado de um texto de mesmo nome deste, pode-se perceber a presença de Platão na lógica maiêutica. Isso se dá pelo fato de que Sócrates nunca escreveu uma só palavra. Todos os textos que fazem referência a sua vida e conhecimento são de seus discípulos, sendo o principal, Platão.

“Quem sabe se viver é estar morto, e estar morto é viver?”

PAX!

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2 Comments Add your own

  • 1. Maurício  |  Janeiro 5, 2009 at 5:51 pm

    Karina!

    Rumo a mais uma volta em torno do Sol! Estou aqui, tirando todo o atraso: natal, aniversário e mais uma volta. Lembrei de ti no teu aniversário, até comentei com a Elizabeth. Mas perdi teu número de telefone… Até tentei achá-lo em meio a meus logs antigos, mas nada consegui.

    Para mim, não importa se viver é estar morto ou se estar morto é viver. Talvez vivamos ao dormir, pensando que estamos sonhando, e durmamos ao acordar, pensando que estamos vivendo. A realidade, ou a verdade, não importa. Pois para cada um de nós ela será diferente. Podemos encontrá-la em vários lugares: no mar, nas montanhas, na selva, no ar, no fogo, no vento, nas cidades, no trabalho, no descanso, etc. E isso aliado à diversidade humana, faz com que a verdade por trás de tudo isso seja tão volátil, retirando muito de sua importância.

    Como seres pensantes, dotados de “poder”, podemos mudar o mundo, mudar as pessoas, mudar a nós mesmos. Podemos buscar o equilíbrio entre o bom e o ruim, entre o bem e o mal, entre o ser e o não ser, entre a vida e a morte. Podemos conhecer, podemos decifrar, podemos salvar, podemos perder. Enfim, podemos viver.

    E viver não significa destruir, mas também não significa construir. Viver não significa ir em frente, muito menos ir para trás. Viver não é bom, viver não é ruim. Viver não é estar em busca da felicidade, nem estar afogado em tristezas. Viver é entrar em harmonia com a natureza e com os outros seres que, todos juntos, formam um único grande “ser”: o Universo. E, claro, podemos acreditar em tudo isso que está escrito aqui, assim como também somos livres para poder escrever outras coisas e olhar a vida através de outras lentes.

    Abraços, espero que estejas bem!

    Saudades!
    Maurício.

    Responder
  • 2. Maurício  |  Janeiro 5, 2009 at 5:58 pm

    Quem sabe o que é viver? – Eu não sei, mas eu vivo. Pelo menos, tenho a sensação de estar vivendo. Se ela realmente significa “estar vivo”, quem irá saber?

    Responder

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