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O Simbolismo da Balança

“A balança é conhecida na qualidade de símbolo da justiça, da medida, da prudência, do equilíbrio, porque sua função corresponde precisamente à pesagem dos atos. Associada à espada, a balança é também a Justiça, mas duplicada pela Verdade. No plano social, trata-se de emblemas da função administrativa e da função militar, que são as do poder dos reis e que caracterizam, na Índia, a casta dos Kshatriya.També m essa é a razão pela qual, na China, a balança é um dos atributos do Ministro, associada, desta vez, a um torno de oleiro. /representada nas lojas das sociedades secretas chinesas, a balança significa o direito e a justiça.

A balança como símbolo do Julgamento é apenas uma extensão da aceitação do precedente da Justiça divina. No antigo Egito, Osíris pesava a alma dos mortos; na iconografia cristã, a balança é segurada por São Miguel, o Arcanjo do Julgamento; a balança do Julgamento também é evocado no Corão; no Tibete, os pratos da balança destinada à pesagem das boas e das más ações do homem são respectivamente enchidos de pedras brancas e de pedras negras. Na Pérsia, o anjo Rashn, colocado ao é de Mitra, pesa os espíritos sobre a ponte do destino; um vaso grego representa Hermes a pesar as almas de Aquiles e de Pátroclo.

Abarcando as noções de justiça, como também de medida e de ordem, a balança entre os gregos é representada por Têmis, que rege os mundos, segundo uma lei universal. No dizer de Hesíodo, ela é filha de Urano (o céu) e de Gaia (a terra), portanto filha da matéria e do espírito, do visível e do invisível. Na Ilíada, aparece também como um símbolo do destino, tal como o testemunha o combate de Aquiles e Heitor: Ei-los que retornam às fontes desta quarta vez. Desta vez, o Pai dos Deuses faz uso de sua balança de ouro; nela coloca as duas deusas da morte dolorosa, a de Aquiles e a de Heitor, o domador de éguas; depois, tomando-a pelo meio, ergue-a, e esse é o dia fatal de Heitor que, por seu peso, faz descer a balança e desaparece no Hades. Então Febo Apolo o abandona.

Como a noção de destino implica a de tempo vivido, compreender- se-á que a balança seja igualmente o emblema de Saturno ou Cronos. Juiz e executor, Cronos mede a vida humana, também estabelecendo o equilíbrio, igual ou não, entre os anos, as estações, os dias e as noites. Pode-se sublinhar aqui que o signo zodiacal da balança é atingido no equinócio do outono; no equinócio da primavera começa o de Áries; nesssas datas, o dia e a noite equilibram-se. Do mesmo modo, os movimentos dos pratos da balança, como os do sol no ciclo anual, correspondem ao peso relativo de yin e do yang, do obscuro e da luz, o que reconduz, sem variação simbólica notável, da Grécia à China clássicas. A fecha (ponteiro), quando os pratos estão em equilíbrio (equinócio) – ou a espada que a ela se identifica – é símbolo do Invariável Meio. O eixo polar que o representa termina na Ursa Maior, que a China antiga denominava Balança de Jade.

A balança é,ainda, o equilíbrio das forças naturais, de todas as coisas feitas para serem unidas (Devoucoux), dasquais os antigos símbolos eram as pedras oscilantes.

Ao equilibrar  as coisas e o tempo, o visível e o invisível, compreende-se que a ciência ou o domínio da Balança seja familiar ao hermetismo e à alquimia: esta cicência é das correspondências entre o universo corporal e o universo espiritual, entre a Terra e o Cèu (v. o Livro das Balanças de Jabîr ibn-Hayyan). E essa balança (mizan) é transferida pelo esoterismo islâmico até mesmo para o plano da linguagem e da escrita, a balança das letras estabelecendo a mesma relação das letras à lingaugem designa à sua natureza essencial. Levar a barra (ou travessão) de tais balanças à horizontar significa sem dúvida alcançar a suprema Sabedoria.

O Livro dos Mortos, dos antigos egípcios, permite-nos fazer uma idéia da Psicostasia, a pesagem (ou julgamento) das almas; nos pratos da balança, ade um lado o vaso (significando o coração do morto), e de outro, a pluna de avestruz (significando a justiça e a verdade). A balança simboliza a justiça, o peso comparado dos atos e das obrigações.

O conhecimento é uma ciência exata e rigorosa: é pesado na balança. Essa medida rigorosa, nós a reencontramos tanto na ordem do conhecimento quanto na pesagem das almas e dos metais.

O equilíbrio simbolizado pela balança indica um retorno à Unidade, à não-manifestaçã o, porque tudo aquilo que é manifestado está sujeito à dualidade e às oposições. O equilíbrio realizado pelos pratox fixados um diante do outro, portanto, significa uma posição para além dos confiltos, que pertencem ao tempo-espaço, à matéria. É a partir do centro da balança e da fixidez do ponteiro que as oposições podem ser encaradas como aspectos complementares”.

Trechos do verbete balança no Dicionário dos Símbolos, de Jean Chevalier e Alain Gheebrant, José Olympio Editora, 8ª edição, 1994.

Add comment Novembro 15, 2009

A Lei e seu reestabelecimento

Krishna para Arjuna:

“Toda vez que a Lei justa se declina, que se levanta a injustiça, Eu me manifesto para a salvação dos bons e a perdição dos maus.

É para reestabelecer a LEI que renasço em cada ciclo. Eu sou tanto a morte que não poupa ninguém, como o renascimento que dissolve a morte.”

Boas reflexões!

Karina

Add comment Outubro 11, 2009

Buena Vista Social Club

Creio que Cuba seja um país quase mítico no imaginário de nós, ocidentais capitalistas. A favor ou não do regime lá instalado, sua música sempre exerceu fascínio naqueles que se identificam com esse sentimento tropical e delicioso da América Latina.

No filme Buena Vista Social Club, um produtor estadunidense vai a Cuba procurando os músicos que fizeram sucesso na década de 60. Sem saber se os encontraria, se surpreende achando muitos deles ainda vivos, lúcidos e completamente ativos musicalmente. O resultado é a gravação de um cd espetacular, da qual se pode ver trechos no filme, e um show no Carniege Hall, em Nova Iorque.

Trailler do Filme

O filme é entrecortado de imagens do dia a dia cubano: os prédios antigos, as pessoas andando nas ruas, as casas simples dos músicos, as geladeiras e carros do tempo do onça… Me pareceu um lugar perdido no tempo, com gosto de infância e simplicidade. Parece que lá o tempo é lento, preguiçoso… e as tardes de sol aconchegantes e infindáveis.

Posso estar romantizando demais a realidade por lá, simplificando demais a pobreza. Quiçá possa ver um dia, com meus próprios olhos, o que é a Cuba de hoje, detrás de todos os mitos.

A música é ótima… Baixe e confira!

Clique AQUI para baixar! (RapidShare)

PAX!

Karina

http://www.youtube.com/watch?v=Gc6HFT_3zqQ

2 comments Agosto 18, 2009

O Objetivo Primário

Neste período, em uma das faculdades estou tendo uma matéria chamada empreendedorismo. Particularmente acho as considerações feitas, em geral um tanto redundantes… “Ser empreendedor é…”, “O empreendedor faz…”, etc.

Porém, em um dos textos me deparei com uma reflexão muto interessante, de ordem prática (é um exercício):

O exercício proposto é para que você com o uso de sua Imaginação crie o objetivo primário: (o resultado é pessoal e somente para  você).
Você está prestes a comparecer a um dos eventos mais importantes de sua vida. Esse evento acontecerá em um local suficientemente grande para acomodar todos os seus amigos, sua família, seus parceiros de negócios, toda e qualquer pessoa para quem você é importante e é importante para você. Você consegue visualizar o local? As paredes estão cobertas com tapeçarias douradas, a iluminação é à meia-luz, suave, produzindo um brilho quente nas faces de seus convidados em expectativa, as cadeiras deles são belamente estofadas com um tecido dourado, que combina com as tapeçarias.
Na frente da sala, há um palco e, nele, há uma mesa ricamente decorada, com velas queimando em cada uma das extremidades; sobre a mesa, ao centro, está o objeto da atenção de todos: uma caixa grande, brilhante e ornada. E na caixa está… Você! Você se vê deitado (a) na caixa, duro (a) como uma pedra.
Agora ouça:
Dos quatro cantos da sala ouve-se uma gravação de sua voz. Você consegue ouvir?  Você está se dirigindo a seus convidados e está contando a eles a história de sua vida.
Como você gostaria que essa história fosse? Esse é seu Objetivo Primário. O que gostaria de poder dizer sobre sua vida quando já for muito tarde para fazer algo para mudá-la? Este é seu Objetivo Primário. Se você tivesse que escrever um roteiro para a fita a ser tocada para aqueles que estão de luto em seu velório, como gostaria que fosse lido? Este é seu Objetivo Primário.
E, uma vez criado o roteiro, tudo o que você precisa fazer é torná-lo real, é começar a viver sua vida como se ela fosse importante, é levar a vida a sério, criá-la intencionalmente. Enfim, tornar sua vida, efetivamente, naquilo que você deseja. Simples? Sim? Fácil? Não.
Isso é essencial se você deseja que sua empresa tenha um significado além do trabalho. Se sua empresa se tornar parte integral dessa fita, se terá uma grande contribuição na realização de seu sonho, se sua empresa se tornará um componente significativo de seu Objetivo Primário, você tem de fazer com que ela própria saiba que Objetivo é esse!
E como espera fazer isso se você não sabe qual é? O Objetivo Primário é muito importante para o sucesso da empresa? Sem uma imagem clara de como deseja que sua vida seja como é que você pode começar a vivê-la? Como saber qual é o primeiro passo a ser dado? Como medir seu progresso? Como saber onde você estava? Como saber até que ponto já chegou? Como saber até aonde ainda deve ir?  Sem o Objetivo Primário, isso realmente não seria possível: seria quase impossível. (M. GERBER)

Aqui o escritor colocar em termos de criação de uma empresa. Bem, creio que o exercício tenha aplicação ao MOTIVO DE SE VIVER, mais do que na criação de uma firma. Pode ser religioso, humanístico, filosófico ou simplesmente material, o impotante é ter para si esse Objetivo Primário. Ele pode ser a propulsão para a realização de muitos sonhos e ideais. Sem ele, tudo fica sem sentido. Para quê trabalhar, casar, ter filhos? Para quê pagar impostos, ler jornais, reclamar da situação do país?

Então… qual é seu Objetivo Primário?

PAX e Bom Feriado! Que a luxúria não seja a base da diversão e sim a amizade, o bem estar e a celebração da vida em seus mais belos aspectos!

E Feliz Natal para alguns!

Karina

1 comment Fevereiro 20, 2009

Pare e escute a música

Esse é um e-mail que recebi… Bem digno de um post!

O homem desceu na estação do metro de Washington DC vestindo jeans,
camisa e boné, encostou-se próximo da entrada, tirou o violino da
caixa e começou a tocar com entusiasmo para a multidão que por
ali passava, na hora de ponta matinal.
Durante os 45 minutos que tocou, foi praticamente ignorado pelos
passantes.
Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores
violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas num
instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3
milhões de dólares.
Alguns dias antes, Bell tinha tocado no Symphony Hall de Boston, onde
os melhores lugares custam 100 dólares.
A experiência, gravada em vídeo, mostra homens e mulheres de andar
ligeiro, copo de café na mão, celular no ouvido, crachá balançando
no pescoço, indiferentes ao som do violino. A iniciativa, realizada
pelo jornal “The Washington Post”, era a de lançar um debate sobre valor,
contexto e arte.
A conclusão:
Só damos valor às coisas, nomeadamente à arte, quando são
contextualizadas.
Bell era uma obra de arte sem moldura. Um artefato de luxo sem
etiqueta. Somente uma mulher o reconheceu.. .
O vídeo da apresentação no metro está no You Tube:

1 comment Fevereiro 17, 2009

A Verdadeira Religião

Mario Roso de Luna.. Grande Sábio! Vejam:

“Em artigo que escreveu para ‘El Liberal’, de Madri, transcrito, na época, em Dhârânâ, assim se expressava:

‘O messianismo foi sempre o achaque dos débeis, que esperam de um enviado a redenção que lhes há de vir de si mesmos. Prometeu, encadeado, espera por Epimeteu Libertador, na tragédia de Ésquilo. Os hebreus esperavam um rei. Na Idade Média esperou-se também pelo Cristo. E o Cristo que veio, foi na Renascença, na qual ARTE E CIÊNCIA SE EMANCIPARAM DO JUGO RELIGIOSO que as oprimia’.

E quando interpelado sobre o papel de Krishna, Buda, Jesus, etc. respondeu o seguinte:

‘Foram seres superiores que pregaram doutrinas eficazes para que os homens de sua época (como os de hoje, dizemos nós) se redimissem por si mesmos (“Faze por ti, que Eu te ajudarei”, repetimos nós). Nenhum deles fundou a religião confessional que se lhes atribui. Quem fundou todas elas foi o imperialismo psíquico de seus pretensos discípulos, que, escravos do inerte dogma que criavam, esqueceram que religião não é crença, mas, a dupla ligação de fraternidade entre os homens segundo sua etimologia latina (sim, do religo, religare ou religar, religião, tornar a ligar ou unir, etc)’ ”.

Add comment Fevereiro 4, 2009

O que é a Sociedade Brasileira de Eubiose?

A filosofia de vida que sigo é a ensinada na Sociedade Brasileira de Eubiose. Desde meu nascimento pertenço a essa instituição, e quanto mais o tempo passa, mais certeza e provas tenho de que o trabalho que ela realizou, realiza e realizará é muitíssimo importante.  Deixo aqui uma breve apresentação:

A Sociedade Brasileira de Eubiose (SBE) é o corpo social que abriga um grande movimento cultural espiritualista que, de ciclo em ciclo evolucional, traz as diretrizes do caminhar humano, apontando-lhe o rumo certo de sua divinização.

Através dos milênios, os avataras, os seres divinos, vêm se manifestando no cenário da humanidade, trazendo novas revelações com que enriquecem a Sabedoria Iniciática das Idades, aumentando gradativamente o seu acervo, na mesma proporção em que o estado de consciência de cada ser humano vai se transformando, e, com ele, a humanidade.

É um trabalho lento, de evolução e de progresso, ao mesmo tempo sacrifical para os avataras que, em verdade, não limitam os seus sacrifícios, pois sabem, de sã consciência, que “só se serve a Deus, servindo à Humanidade”, como falou o Professor Henrique José de Souza e sua esposa D. Helena Jefferson de Souza, fundadores da única Escola Iniciática existente, na atualidade, na Face da Terra.

Outros povos, em outras épocas e em outras regiões do mundo, foram portadores  dessa cultura espiritual, ou real sabedoria, gerando as civilizações, que se formaram, atingiram ao esplendor e depois desapareceram no fragor dos tempos, evidenciando a realidade da curva de Gauss, que se aplica em todos os setores da manifestação e da atividade humana: tudo nasce, cresce, atinge ao explendor, definha e desaparece! É o eterno “DESTRUENS ET CONSTRUENS”, senda inexorável da evolução humana.

Fácil se torna compreender que “Civilização é um conjunto de povo e cultura localizados no tempo e no espaço”. Assim foram as civilizações Bramânica, Grega, Egípcia, etc, cada uma com seu povo e sua cultura localizados no seu tempo e no seu país!

Hoje, essa cultura espiritual floresce no Brasil, por força de lei cíclica evolucional, que a tudo e a todos rege.

Na sua marcha do Oriente para o Ocidente, foi finalmente, no ciclo que se inicia, atingida a região dos 23 graus de latitude sul, no Trópico de Capricórnio, envolvendo São Lourenço, no sul do Estado de Minas Gerais, e sete outras cidades que a rodeiam, à semelhança de um Sistema Planetário!

Por tudo isso, hoje, o BRASIL, predestinado há milênios, “É o Santuário da Iniciação do Gênero Humano a Caminho da Sociedade Futura”, e a cidade de São Lourenço, por seu próprio nome região sã e coberta de louros ou laureada, é o seu altar sagrado!

Através da divulgação escrita, falada e televisada, com seus Departamentos em várias das principais cidades do Brasil, a SBE vai transmitindo aos homens, como Escola Iniciática do Ciclo Evolucional que se inicia, as revelações que hão de sublimar a consciência humana, harmonizando-a com a consciência cósmica global e infinita, seu escopo final, unificando a todos com o Uno pluralizado na manifestação!

“Eubiose é a ciência da vida. E, como tal, é aquela que nos
ensina a viver em harmonia com as leis da natureza e com as leis universais,
de onde as primeiras se derivam.”

Henrique José de Souza

Nos graus pelos quais o discípulo tem que passar para ser um membro da Eubiose são estudados muitos assuntos. Alguns deles:

  • Lemúria;
  • Atlântida;
  • Os aspectos ocultos da história (Egito, Índia, Revolução Francesa, Tibete, etc);
  • Karma e reencarnação (numa visão mais teósofa do que espírita);
  • Chacras do corpo humano e da Terra;
  • Cosmogênese e Antropogênese;
  • Os mistérios dos Arcanos Maiores do Tarot;
  • Mundos Interiores;
  • etc.

Mais informações no site www.eubiose.com.br.

PAX!

Add comment Fevereiro 3, 2009

A Cidade Santa

Na minha juventude, contaram-me que havia uma cidade onde todos viviam de acordo com as Escrituras.

E eu disse: “Procurarei essa cidade e a benção que nela há.” E era distante. E fiz grandes provisões para minha jornada. E depois de quarenta dias, contemplei a cidade; e no quadragésimo-primeiro dia, nela entrei.

E oh! todos os habitantes só tinham um olho e uma mão. E fiquei assombrado, e disse comigo: “Será que para viver nesta cidade santa, deve-se ter apenas um olho e uma mão?”

Então, vi que eles também estavam assombrados por minhas duas mãos e meus dois olhos. E, enquanto falavam entre si, interroguei-os, dizendo: “É esta, realmente, a Cidade Santa, onde todo homem vive de acordo com as Escrituras?” E responderam: “Sim, esta é a cidade.”

“E que aconteceu convosco,” perguntei, “e onde estão vossos olhos direitos e vossas mãos direitas?”

Eles ficaram perplexos diante da minha ignorância. E disseram: “Vem e vê.”

E levaram-me ao templo, no centro da cidade. E no templo, vo um montão de mãos e olhos, todos murchos. E perguntei: “Ai! que conquistador cometeu essa crueldade para convosco?”

E houve um murmúrio entre eles. E um dos mais velhos adiantou-se e disse: “Nós mesmos fizemos isso. Deus nos fez vencedores do mal que havia em nós.”

E levou-me a um altar elevado, e todo o povo nos seguiu. Ele mostrou-me, acima do altar, uma inscrição gravada, e li: “Se teu olho direito te escandalizar, arranca-o e joga-o fora; porque é melhor para ti que um dos teus membros pereça, do que teu corpo inteiro seja lançado no inferno.”

Então compreendi. E voltei-me para o povo todo e gritei: “Nenhum homem ou mulher, entre vós, tem dois olhos e duas mãos?”

E responderam-me, dizendo: “Não, nenhum. Não há ninguém inteiro, a não ser os que são ainda demasiado jovens para ler as Escrituras e compreender seu mandamento.”

E quando saímos do templo, deixei imediatamente aquela Cidade Abençoada; pois não era demasiadamente jovem, e podia ler as Escrituras.

Gibran Khalil Gibran, no livro O Louco

O que posso comentar sobre o texto além do ensinamento do Mestre Henrique José de Souza de que não devemos ler a “letra que mata, mas sim o espírito que vivifica”?

Namastê!

1 comment Janeiro 21, 2009

O Louco

“Perguntais-me como me tornei louco. Aconteceu assim:

Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscaras pelas ruas cheias de gente, gritando: “Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”
Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.
E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou: “É um louco!”. Olhei para cima, para vê-lo. O sol beijou pela primeira vez minha face nua.
Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe, gritei: “Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!”
Assim me tornei louco.
E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.”

Gibran Khalil Gibran

Add comment Janeiro 20, 2009

Uma Face da Liberdade

“One can give nothing whatever without giving oneself – that is to say, risking oneself. If one cannot risk oneself, then one is simply incapable of giving. And, after all, one can give freedom only by setting someone free.”

“Ninguém pode dar nada sem dar a si mesmo – o que significa dizer, arriscar a si mesmo. Se não arriscas a ti mesmo, então és simplesmente incapaz de dar. E, portanto, somente podes dar liberdade se tornares alguém livre.”

Do livro The Fire Next Time – James Baldwin

A frase acima foi escrita no contexto do racismo dos EUA dos anos 70, e atenta para os atos de aparente inclusão dos negros na sociedade americana, mas todos falsos. Falsos? Sim, porque a maioria dessas pessoas brancas não se colocavam em risco ao dar seu dito “apoio” (daí surge o tesmo tokenism). Porém, gostaria de fazer uma outra interpretação dessa frase, um tanto mais ocultista.

Dar algo a outrém é estabelecer uma conexão com a outra pessoa, assim como libertar alguém. Entretanto, a conexão que mais nos falta é a com nós mesmos! Sim, quando digo isso, quero dizer que a humanidade não está buscando entender um dos maiores ensinamentos deixados para nós: CONHECE-TE A TI MESMO.

Poucos querem correr o risco de se conhecerem, de se darem algo duradouro, e não passageiro como os apelos anímicos, carnais e passionais. As paixões são o cárcere humano. Causam felicidade instantânea, porém com ela vem a tristeza do término do prazer. O risco nisso tudo é descobrir que muitas das coisas que pensamos ou fazemos não nos leva para o caminho do BOM, BEM e BELO. Há um risco nisso tudo… o de descobrir que não se tem humildade suficiente para mudar e enfim, tornar-se LIVRE!

Não poderemos dar liberdade a ninguém sem antes sermos livres. O “setting someone free” da frase de Baldwin refere-se à propria pessoa que a lê: ao negro – que se encontra imobilizado e aprisionado em conceitos impostos a ele, e de alguma forma aceitos; ao branco – aprisionado à necessidade de subjugar outro pois só assim não se sente inferior; à humanidade num geral, presa em conceitos mesquinhos, imersos em passionalidade e irracionalidade.

corrente-quebrada

Desejo então, liberdade à todos!

PAX

4 comments Janeiro 6, 2009

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"Sofrei com a reprimenda, mas não vos revolteis contra ela. É sempre salutar ser atacado pelos maus, pois que os bons não atacam a ninguém."

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