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Pessoal,

Hoje o post é para recomendar um blog cheio de conteúdo musical precioso: http://pencadediscos.blogspot.com/

Meus parabéns ao blogueiro! Achei-o quando procurava por albuns dos Novos Baianos (estou apaixonada pela banda!). Coloco o link disponível para vocês aqui também, de um album deles maravilhoso!

Reparem que na música “Só se não for brasileiro nessa hora”, dá pra imaginar as cenas do menino jogando, da vizinha olhando de cara fechada para a bola… e ver o bar da esquina da minha casa cheio de gente assistindo futebol, faz essa música mais viva ainda! E olha que eu nem ligo para futebol, ligo mais para a brasilidade da coisa.

Bons êxtases musicais!

Novos Baianos – F.C. (1973):

http://www.4shared.com/file/18673692/e332fab8/Novos_Baianos__1973___FC.html

Chega de droite

Nada mais revigorante que Drummond! Quem diria que não dava valor a ele quando tinha que estudá-lo para o vestibular… Esse poema é potencialmente admirado por todos os gauches da vida. Bom, eu me incluo aí. Mas quem disse que ser droite tem graça?

Poema de sete faces

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do -bigode,

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

Carlos Drummond de Andrade


. . . ils s’acheminèrent vers un château immense, au frontispice duquel on lisait: “Je n’appartiens à personne et j’appartiens à tout le monde. Vous y étiez avant que d’y entrer, et vous y serez encore quand vous en sortirez.”

Comecei a ler o livro sem muitas expectativas.. pensei que o autor seria mais uma dessas personalidades que absorvem alguns conceitos do ocultismo e da espiritualidade e já se consideram mestres. Pobres são estes, engolidos pelo próprio Ego.Porém, Paul Brunton felizmente não caiu nesta armadilha, pelo menos neste livro (não li outros ainda).

Bom, nesse 2011 já começo com muito material para escrever aqui para vocês. No próximo post contarei um pouco da minha experiência num Ashram Hare Krishna, onde estive nessa passagem de ano. Minha história lá e a percepção de alguns capítulos do livro Um eremita no Himalaia se confudem. Pude apreciar desta literatura deitada na rede, praticando o ócio saudável das reflexões, em meio à bela natureza de Teresópolis – RJ.

Voltando para o livro, ele é basicamente o relato de um retiro espiritual que o autor fez no Himalaia, que hospedou-se num bangalô somente com a companhia de um criado. Imerso em meditações, tece comentários sobre suas vivências lá, a realidade do Tibete da época, hinduísmo e budismo.

Logo no primeiro capítulo, podemos nos deparar com o seguinte parágrafo:

Melhor do que tudo, já se teve o prazer de reencontrar velhos amigos e novas amizades. É bem verdade que um homem que baseia suas amizades na afinidade espiritual e não nos vínculos de interesse nem nas ligações mundanas, não pode esperar contá-las em grande número, pois os ditames do Eu Superior têm de ser obedecidos e os diferentes graus de compreensão (e, como frequentemente me é dado observar, de incompreensão) propriamente ditos erguem barreiras intransponíveis entre aqueles a quem Deus não uniu no prazer da amizade.

É realmente difícil encontrar amizades assim, com esse vínculo superior. Conheço histórias de grupos realmente integrados em objetivos espirituais,  como cavaleiros de uma távola contemporânea, mas sinto que agora são somente passado… O que nos tem impedido de realizar esse tipo de união, mesmo que com esse número reduzido de pessoas?

Descrição do livro no Skoob (rede social de leitores): http://www.skoob.com.br/livro/35814

Haribol!! =]

Adeus!

As pessoas temem a morte por desconhecê-la… Mas uma vez acreditando-se que ela é somente uma passagem, se torna simplesmente libertação, pois aqui, onde estamos, há sofrimento. Viemos aqui para sofrer e aprender. Lá, do outro lado, não há sofrimento, só Deus.

Vendo um dos programas “Passagem para”, do canal Futura, lembro-me muito bem de, em uma país, a morte ser festejada e o nascimento ser chorado. Bem, a vida pode ser tudo: pedaço de céu ou de inferno. Depende do que fazemos com ela.

Abaixo, o poema de inspiração desse post:

Adeus!

Adeus, mundo ingrato, vou-me embora!
Amigo meu não és, nem teu sou.
Muito tempo entre a turba vaguei,
Qual barca perdida no oceano;
Mero joguete muito tempo fui;
Mas agora, mundo ingrato, vou-me!

Adeus digo à vil bajulação;
à ríspida e fútil soberbia;
à vã arrogância da fortuna;
Aos salões, às cortes, e às ruas;
Aos empedernidos e apressados;
Aos que de cá e de lá correm.
Adeus, mundo ingrato, vou-me embora!

Vou-me de volta à minha morada,
Em verdes colinas isolada,
Canto secreto em país ameno
Cujos bosques fadas planejaram,
Onde sorri a vida sem cessar
Ao canto alegre da passarada,
E pés profanos jamais pisaram,
Recanto sagrado a Deus e ao mundo.

Posto a salvo em seu refúgio
Espezinharei o antigo orgulho,
E estirado sob os pinheirais,
Onde brilha a vespertina estrela,
Rir-me-ei das humanas histórias,
Dos escolásticos e letrados,
Que eles nada são em sua altivez,
Pois nas matas se pode achar Deus.

Ralph Waldo Emerson

Pessoal, depois de longa data eu volto aqui com um post que considero, no mínimo, digno de reflexão. Estou lendo o livro O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, e me deparei com um conceito que até então não conhecia: o hedonismo.

Hedonismo

O hedonismo (do gregohedonê, “prazer”, “vontade”) é uma teoria ou doutrina filosófico-moral que afirma ser o prazer o supremo bem da vida humana. Surgiu na Grécia, e importantes representantes foram Aristipo de Cirene e Epicuro. O hedonismo filosófico moderno procura fundamentar-se numa concepção mais ampla de prazer entendida como felicidade para o maior número de pessoas.

O significado do termo em linguagem comum, bastante diverso do significado original, surgiu no iluminismo e designa uma atitude de vida voltada para a busca egoísta de prazeres materiais. Com esse sentido, “hedonismo” é usado de maneira pejorativa, visto normalmente como sinal de decadência.

Lord Henry Lotton é o personagem que encarna essa mentalidade no livro. É impressionante como suas palavras, venenosas e sedutoras ao mesmo tempo, ditam as ações e posturas de Dorian Gray  – o personagem central do livro – em toda sua vida. Aqui deixo algumas falas, a maioria de Lord Henry , que ilustram o pensamento hedonista e cínico:

“A insinceridade é algo assim tão terrível? Creio que não. É um simples método por que podemos multiplicar nossas personalidades.”

 

‎”Sentia que as conhecia todas, aquelas figuras terríveis, singulares, que atravessaram o palco do mundo e fizeram do pecado algo tão maravilhoso e do mal, algo tão cheio de sutileza.”

 

“O motivo por que tanto gostamos de pensar bem dos outros é que todos nós temos medo de nós mesmos. A base do otimismo é o terror puro. Pensamos que somos generosos, pois creditamos ao próximo a posse das virtudes propensas a nos beneficiar. Enaltecemos o banqueiro para que possamos sacar a descoberto, e descobrimos boas qualidades no salteador  de estradas na esperança de que nos poupe os bolsos. […] Tenho o maior desprezo pelo otimismo. E, quanto a estragar vidas, a única vida que se estraga é aquela da qual se apreende a evolução.”

 

“Ser generoso é estar em harmonia com nosso próprio ser. Estar em discórdia é sermos forçados a estar em harmonia com os outros. Nossa própria vida… eis o que é importante. Quanto à vida de nosso próximo, se alguém deseja ser gatuno, ou puritano, podemos, a respeito dele, apenas alardear nossos pontos de vista morais, mas não temos nada com ele. Além disso, o individualismop apresenta, na verdade, objetivo mais elevado. A moralidade moderna consiste em aceitar o padrão da idade de uma pessoa. Para o homem de cultura, acredito eu, aceitar o padrão da própria idade é uma forma da mais grosseira imoralidade.”

Apesar de sedutores, estes pensamentos são extremamente simplistas. Não consideram as inúmeras facetas inerentes ao ser humano, o reduzem à escravidão pelo prazer. A busca pelo prazer, somente, cega o discernimento e torna a vida vazia e mais efêmera do que já é. Acho que já coloquei essa frase num post aqui, mas não custa repetí-la:

“Assim cavalgam no tempo os dias e os anos e atrás deles segue o homem empunhando as rédeas dos seus desejos e paixões. Não sente a suavidade da brisa, nem a força do temporal. E se um infeliz tem a sorte de escapar de seu cárcere e fala do zéfino e do furacão, todos o olham com compaixão, porque o crêem alienado. Então ele se retira, lamentando-se: ‘Gritei e ninguém me ouviu.’ Pois bem uma vez que temem o ar puro, deixemos que se asfixiem em sua prisão putrefata e nauseabunda.” do livro Adonai

Caros visitantes,

Quando recebi os links de “obra completa” de alguns compositores importantes, confiei na fonte que me repassou. Infelizmente recebi feedbacks negativos sobre os mesmos. Tentei achar os que faltavam, sem sucesso. Para evitar mais transtornos, retirei tais posts do ar.

O intuito de ter colocado esses links não foi, de maneira alguma, causar desconforto e decepção para ninguém.

Peço desculpas a todos.

Karina

Estava no avião, indo para a Bahia… nessas horas, não há melhor companhia que um bom livro. E tive sorte na escolha! O que levei foi o “Conversas sobre Política” do Rubem Alves, com vários pequenos textos sobre o assunto. A visão do autor ora pessimista, ora esperançosa, nos intriga e nos faz refletir, principalmente nesta época de eleições, sobre onde realmente está a raiz dos males de nossa sociedade brasileira. Não são apenas maus políticos: ele traz à tona o indivíduo moral x sociedade imoral, os maus votos e o afastamento dos ‘políticos por vocação’ da política, por causa dos excrementos de ‘políticos por profissão’. Os questionamentos também se estendem para o dia-a-dia, nos lembrando que nós, seres humanos, somos inatos políticos do cotidiano.

Deixo um texto do livro aqui para vocês:

De todas as vocações, a política é a mais nobre. Vocação, do latim vocare, quer dizer chamado. Vocação é um chamado interior de amor: chamado de amor por um ‘fazer’. No lugar desse ‘fazer’ o vocacionado quer ‘fazer amor’ com o mundo. Psicologia de amante: faria, mesmo que não ganhasse nada.
‘Política’ vem de polis, cidade. A cidade era, para os gregos, um espaço seguro, ordenado e manso, onde os homens podiam se dedicar à busca da felicidade. O político seria aquele que cuidaria desse espaço. A vocação política, assim, estaria a serviço da felicidade dos moradores da cidade.

Talvez por terem sido nômades no deserto, os hebreus não sonhavam com cidades: sonhavam com jardins. Quem mora no deserto sonha com oases. Deus não criou uma cidade. Ele criou um jardim. Se perguntássemos a um profeta hebreu ‘o que é política?’, ele nos responderia, ‘a arte da jardinagem aplicada às coisas públicas’.

O político por vocação é um apaixonado pelo grande jardim para todos. Seu amor é tão grande que ele abre mão do pequeno jardim que ele poderia plantar para si mesmo. De que vale um pequeno jardim se à sua volta está o deserto? É preciso que o deserto inteiro se transforme em jardim.

Amo a minha vocação, que é escrever. Literatura é uma vocação bela e fraca. O escritor tem amor mas não tem poder. Mas o político tem. Um político por vocação é um poeta forte: ele tem o poder de transformar poemas sobre jardins em jardins de verdade. A vocação política é transformar sonhos em realidade. É uma vocação tão feliz que Platão sugeriu que os políticos não precisam possuir nada: bastar-lhes-ia o grande jardim para todos. Seria indigno que o jardineiro tivesse um espaço privilegiado, melhor e diferente do espaço ocupado por todos. Conheci e conheço muitos políticos por vocação. Sua vida foi e continua a ser um motivo de esperança.

Vocação é diferente de profissão. Na vocação a pessoa encontra a felicidade na própria ação. Na profissão o prazer se encontra não na ação. O prazer está no ganho que dela se deriva. O homem movido pela vocação é um amante. Faz amor com a amada pela alegria de fazer amor. O profissional não ama a mulher. Ele ama o dinheiro que recebe dela. É um gigolô.

Todas as vocações podem ser transformadas em profissões O jardineiro por vocação ama o jardim de todos. O jardineiro por profissão usa o jardim de todos para construir seu jardim privado, ainda que, para que isso aconteça, ao seu redor aumente o deserto e o sofrimento.

Assim é a política. São muitos os políticos profissionais. Posso, então, enunciar minha segunda tese: de todas as profissões, a profissão política é a mais vil. O que explica o desencanto total do povo, em relação à política. Guimarães Rosa, perguntado por Günter Lorenz se ele se considerava político, respondeu: ‘Eu jamais poderia ser político com toda essa charlatanice da realidade… Ao contrário dos ‘legítimos’ políticos, acredito no homem e lhe desejo um futuro. O político pensa apenas em minutos. Sou escritor e penso em eternidades. Eu penso na ressurreição do homem.’ Quem pensa em minutos não tem paciência para plantar árvores. Uma árvore leva muitos anos para crescer. É mais lucrativo cortá-las.

Nosso futuro depende dessa luta entre políticos por vocação e políticos por profissão. O triste é que muitos que sentem o chamado da política não têm coragem de atendê-lo, por medo da vergonha de serem confundidos com gigolôs e de terem de conviver com gigolôs.

Escrevo para vocês, jovens, para seduzi-los à vocação política. Talvez haja jardineiros adormecidos dentro de vocês. A escuta da vocação é difícil, porque ela é perturbada pela gritaria das escolhas esperadas, normais, medicina, engenharia, computação, direito, ciência. Todas elas, legítimas, se forem vocação. Mas todas elas afunilantes: vão colocá-los num pequeno canto do jardim, muito distante do lugar onde o destino do jardim é decidido. Não seria muito mais fascinante participar dos destinos do jardim?

Acabamos de celebrar os 500 anos do descobrimento do Brasil. Os descobridores, ao chegar, não encontraram um jardim. Encontraram uma selva. Selva não é jardim. Selvas são cruéis e insensíveis, indiferentes ao sofrimento e à morte. Uma selva é uma parte da natureza ainda não tocada pela mão do homem. Aquela selva poderia ter sido transformada num jardim. Não foi. Os que sobre ela agiram não eram jardineiros. Eram lenhadores e madeireiros. E foi assim que a selva, que poderia ter se tornado jardim para a felicidade de todos, foi sendo transformada em desertos salpicados de luxuriantes jardins privados onde uns poucos encontram vida e prazer.
Há descobrimentos de origens. Mais belos são os descobrimentos de destinos. Talvez, então, se os políticos por vocação se apossarem do jardim, poderemos começar a traçar um novo destino. Então, ao invés de desertos e jardins privados, teremos um grande jardim para todos, obra de homens que tiveram o amor e a paciência de plantar árvores à cuja sombra nunca se assentariam.

Boas reflexões!

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