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Archive for janeiro \27\UTC 2009

Esse álbum da Sumi Jo é maravilhoso! Muitas pessoas não gostam muito da voz dela, por ter agudos um tanto metálicos, mas particularmente considero uma voz agradabilíssima de se ouvir!

Dou destaque às faixas 2: técnica impecável numa música rápida e exigente ; 3: há uma polêmica em torno do verdadeiro autor dessa música. Há suspeitas de que não tenha sido composta por Bach; e 6: as linhas melódicas diferentes da flauta, voz e cravo são simplesmente de arrepiar… Se complementam perfeitamente!

1. Nulla In Mundo Pax Sincera
2. Agitata Da Due Venti
4. As Steals the Morn Upon the Night
5. Where’er You Walk
6. Ei! Wie Schmeckt Der Kaffee Sube
7. Music For a While
8. Let the Bright Seraphim
9. Sposa Son Disprezzata
10. Fairest Isle
11. Lascia Ch’io Pianga
12. Seufzer, Tranen, Kummer, Not
13. I Know That My Redeemer Liveth

Eis um vídeo no youtube que mostra a qualidade técnica da cantora:

PAX!
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Na minha juventude, contaram-me que havia uma cidade onde todos viviam de acordo com as Escrituras.

E eu disse: “Procurarei essa cidade e a benção que nela há.” E era distante. E fiz grandes provisões para minha jornada. E depois de quarenta dias, contemplei a cidade; e no quadragésimo-primeiro dia, nela entrei.

E oh! todos os habitantes só tinham um olho e uma mão. E fiquei assombrado, e disse comigo: “Será que para viver nesta cidade santa, deve-se ter apenas um olho e uma mão?”

Então, vi que eles também estavam assombrados por minhas duas mãos e meus dois olhos. E, enquanto falavam entre si, interroguei-os, dizendo: “É esta, realmente, a Cidade Santa, onde todo homem vive de acordo com as Escrituras?” E responderam: “Sim, esta é a cidade.”

“E que aconteceu convosco,” perguntei, “e onde estão vossos olhos direitos e vossas mãos direitas?”

Eles ficaram perplexos diante da minha ignorância. E disseram: “Vem e vê.”

E levaram-me ao templo, no centro da cidade. E no templo, vo um montão de mãos e olhos, todos murchos. E perguntei: “Ai! que conquistador cometeu essa crueldade para convosco?”

E houve um murmúrio entre eles. E um dos mais velhos adiantou-se e disse: “Nós mesmos fizemos isso. Deus nos fez vencedores do mal que havia em nós.”

E levou-me a um altar elevado, e todo o povo nos seguiu. Ele mostrou-me, acima do altar, uma inscrição gravada, e li: “Se teu olho direito te escandalizar, arranca-o e joga-o fora; porque é melhor para ti que um dos teus membros pereça, do que teu corpo inteiro seja lançado no inferno.”

Então compreendi. E voltei-me para o povo todo e gritei: “Nenhum homem ou mulher, entre vós, tem dois olhos e duas mãos?”

E responderam-me, dizendo: “Não, nenhum. Não há ninguém inteiro, a não ser os que são ainda demasiado jovens para ler as Escrituras e compreender seu mandamento.”

E quando saímos do templo, deixei imediatamente aquela Cidade Abençoada; pois não era demasiadamente jovem, e podia ler as Escrituras.

Gibran Khalil Gibran, no livro O Louco

O que posso comentar sobre o texto além do ensinamento do Mestre Henrique José de Souza de que não devemos ler a “letra que mata, mas sim o espírito que vivifica”?

Namastê!

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“Perguntais-me como me tornei louco. Aconteceu assim:

Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscaras pelas ruas cheias de gente, gritando: “Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”
Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.
E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou: “É um louco!”. Olhei para cima, para vê-lo. O sol beijou pela primeira vez minha face nua.
Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe, gritei: “Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!”
Assim me tornei louco.
E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.”

Gibran Khalil Gibran

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“One can give nothing whatever without giving oneself – that is to say, risking oneself. If one cannot risk oneself, then one is simply incapable of giving. And, after all, one can give freedom only by setting someone free.”

“Ninguém pode dar nada sem dar a si mesmo – o que significa dizer, arriscar a si mesmo. Se não arriscas a ti mesmo, então és simplesmente incapaz de dar. E, portanto, somente podes dar liberdade se tornares alguém livre.”

Do livro The Fire Next Time – James Baldwin

A frase acima foi escrita no contexto do racismo dos EUA dos anos 70, e atenta para os atos de aparente inclusão dos negros na sociedade americana, mas todos falsos. Falsos? Sim, porque a maioria dessas pessoas brancas não se colocavam em risco ao dar seu dito “apoio” (daí surge o tesmo tokenism). Porém, gostaria de fazer uma outra interpretação dessa frase, um tanto mais ocultista.

Dar algo a outrém é estabelecer uma conexão com a outra pessoa, assim como libertar alguém. Entretanto, a conexão que mais nos falta é a com nós mesmos! Sim, quando digo isso, quero dizer que a humanidade não está buscando entender um dos maiores ensinamentos deixados para nós: CONHECE-TE A TI MESMO.

Poucos querem correr o risco de se conhecerem, de se darem algo duradouro, e não passageiro como os apelos anímicos, carnais e passionais. As paixões são o cárcere humano. Causam felicidade instantânea, porém com ela vem a tristeza do término do prazer. O risco nisso tudo é descobrir que muitas das coisas que pensamos ou fazemos não nos leva para o caminho do BOM, BEM e BELO. Há um risco nisso tudo… o de descobrir que não se tem humildade suficiente para mudar e enfim, tornar-se LIVRE!

Não poderemos dar liberdade a ninguém sem antes sermos livres. O “setting someone free” da frase de Baldwin refere-se à propria pessoa que a lê: ao negro – que se encontra imobilizado e aprisionado em conceitos impostos a ele, e de alguma forma aceitos; ao branco – aprisionado à necessidade de subjugar outro pois só assim não se sente inferior; à humanidade num geral, presa em conceitos mesquinhos, imersos em passionalidade e irracionalidade.

corrente-quebrada

Desejo então, liberdade à todos!

PAX

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Sócrates foi, sem sombra de dúvida, um dos Homens mais sábios que já passaram pela Face da Terra. Ainda o é, uma vez que suas idéias se perpetuam até hoje em nossa sociedade, já que ele mesmo dizia que o Sócrates  que seus discípulos conheciam ou deviam conhecer não morreria nunca, que a Idéia que ele  encarnava, não era dele, mas imortal e universal.

Foi um Homem simples, roupas nada ostentadoras, que adava por Atenas aplicando a maiêutica em suas conversas com o propósito de descobrir a Verdade, encontrar o saber. Considerava-se nada sapiente. Considerá-lo seria não o ser!!! Ele desmanchava os conceitos e definições alheias com perguntas. Desconstruía todas as construções com alicerces de vento, ia mais fundo. Quanto mais fundo ia, mais percebia que o Saber não tem fim.

Mas no que consiste a Maiêutica?

“A  Maiêutica  de Sócrates consiste em perguntar, em interrogar, em inquirir:  “O que   é isto? O que significa?”  E isto ele faz andando pelas ruas, pelas praças, indagando das pessoas.

Ao general ateniense que encontra – ele está preocupado em averiguar o que é a coragem  –  diz para si:  ”Aqui  está: este é quem sabe o que é ser corajoso, visto que é o general, o chefe.”  Aproxima-se e diz:  “Você que é um general do exército ateniense, tem que saber  o que é a coragem.”  Então o outro lhe diz:  “Mas é claro! Como não vou saber o que é coragem? Ela consiste em atacar o inimigo e nunca fugir.” Sócrates para,  pensa,  coça a cabeça e lhe diz:   “Sua resposta não é totalmente satisfatória.”  E faz ver ao general que muitas vezes é  preferível retroceder para atrair o inimigo a uma posição mais favorável para destruí-lo. O general concorda e dá outra definição ou complementa a anterior. E Sócrates  exerce, outra vez, sua crítica interrogativa e nunca está satisfeito com as respostas que vão sendo dadas.

Dessa forma, faz com que a definição inicial vá passando pelo crivo das indagações e aperfeiçoando-se por extensões e reduções até ficar o mais exata possível,  mas nunca a  ser  definitiva. Para a  Maiêutica, o conhecimento está latente no homem, só e necessário criar condições para que ele passe da potência ao ato, aflore, numa espécie de recordação, reminiscência. Educar no sentido verdadeiro e superior. Educação vem do latim educere, literalmente trazer para fora, sobressair, emergir do estado potencial para o estado de realidade manifestada.

Nos diálogos platônicos, que reproduzem  cenas da atuação de Sócrates,  nenhum deles chega a uma solução definitiva: todos se interrompem dando a entender que é preciso continuar perguntando, perguntando e continuar  encontrando dificuldades,  novos desafios e mistérios na última definição dada e que o assunto nunca se esgota. Esse método é típico de tudo que Platão  nos deixou  escrito nos diálogos socráticos.

Para Platão, quando não sabemos nada, ou aquilo que sabemos, o sabemos sem tê-lo procurado como a opinião, é um saber que não vale nada, mas quando queremos saber, aproximar-nos do conhecimento elevado, reflexivo, temos mais chances de compreender.  Opinião,  crença, doxa em grego, é o que pensamos que sabemos, mas não fundado no conhecimento racional, portanto, não é nada. A Dialética platônica  consiste exatamente na discussão de todos os aspectos,  todos os prós e contras de um determinado tema até que possamos depurá-lo e chegar perto de seu verdadeiro significado, autêntico, real e que ele chama de epistéme, ciência.”

No trecho retirado de um texto de mesmo nome deste, pode-se perceber a presença de Platão na lógica maiêutica. Isso se dá pelo fato de que Sócrates nunca escreveu uma só palavra. Todos os textos que fazem referência a sua vida e conhecimento são de seus discípulos, sendo o principal, Platão.

“Quem sabe se viver é estar morto, e estar morto é viver?”

PAX!

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