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Archive for novembro \15\UTC 2009

“A balança é conhecida na qualidade de símbolo da justiça, da medida, da prudência, do equilíbrio, porque sua função corresponde precisamente à pesagem dos atos. Associada à espada, a balança é também a Justiça, mas duplicada pela Verdade. No plano social, trata-se de emblemas da função administrativa e da função militar, que são as do poder dos reis e que caracterizam, na Índia, a casta dos Kshatriya.També m essa é a razão pela qual, na China, a balança é um dos atributos do Ministro, associada, desta vez, a um torno de oleiro. /representada nas lojas das sociedades secretas chinesas, a balança significa o direito e a justiça.

A balança como símbolo do Julgamento é apenas uma extensão da aceitação do precedente da Justiça divina. No antigo Egito, Osíris pesava a alma dos mortos; na iconografia cristã, a balança é segurada por São Miguel, o Arcanjo do Julgamento; a balança do Julgamento também é evocado no Corão; no Tibete, os pratos da balança destinada à pesagem das boas e das más ações do homem são respectivamente enchidos de pedras brancas e de pedras negras. Na Pérsia, o anjo Rashn, colocado ao é de Mitra, pesa os espíritos sobre a ponte do destino; um vaso grego representa Hermes a pesar as almas de Aquiles e de Pátroclo.

Abarcando as noções de justiça, como também de medida e de ordem, a balança entre os gregos é representada por Têmis, que rege os mundos, segundo uma lei universal. No dizer de Hesíodo, ela é filha de Urano (o céu) e de Gaia (a terra), portanto filha da matéria e do espírito, do visível e do invisível. Na Ilíada, aparece também como um símbolo do destino, tal como o testemunha o combate de Aquiles e Heitor: Ei-los que retornam às fontes desta quarta vez. Desta vez, o Pai dos Deuses faz uso de sua balança de ouro; nela coloca as duas deusas da morte dolorosa, a de Aquiles e a de Heitor, o domador de éguas; depois, tomando-a pelo meio, ergue-a, e esse é o dia fatal de Heitor que, por seu peso, faz descer a balança e desaparece no Hades. Então Febo Apolo o abandona.

Como a noção de destino implica a de tempo vivido, compreender- se-á que a balança seja igualmente o emblema de Saturno ou Cronos. Juiz e executor, Cronos mede a vida humana, também estabelecendo o equilíbrio, igual ou não, entre os anos, as estações, os dias e as noites. Pode-se sublinhar aqui que o signo zodiacal da balança é atingido no equinócio do outono; no equinócio da primavera começa o de Áries; nesssas datas, o dia e a noite equilibram-se. Do mesmo modo, os movimentos dos pratos da balança, como os do sol no ciclo anual, correspondem ao peso relativo de yin e do yang, do obscuro e da luz, o que reconduz, sem variação simbólica notável, da Grécia à China clássicas. A fecha (ponteiro), quando os pratos estão em equilíbrio (equinócio) – ou a espada que a ela se identifica – é símbolo do Invariável Meio. O eixo polar que o representa termina na Ursa Maior, que a China antiga denominava Balança de Jade.

A balança é,ainda, o equilíbrio das forças naturais, de todas as coisas feitas para serem unidas (Devoucoux), dasquais os antigos símbolos eram as pedras oscilantes.

Ao equilibrar  as coisas e o tempo, o visível e o invisível, compreende-se que a ciência ou o domínio da Balança seja familiar ao hermetismo e à alquimia: esta cicência é das correspondências entre o universo corporal e o universo espiritual, entre a Terra e o Cèu (v. o Livro das Balanças de Jabîr ibn-Hayyan). E essa balança (mizan) é transferida pelo esoterismo islâmico até mesmo para o plano da linguagem e da escrita, a balança das letras estabelecendo a mesma relação das letras à lingaugem designa à sua natureza essencial. Levar a barra (ou travessão) de tais balanças à horizontar significa sem dúvida alcançar a suprema Sabedoria.

O Livro dos Mortos, dos antigos egípcios, permite-nos fazer uma idéia da Psicostasia, a pesagem (ou julgamento) das almas; nos pratos da balança, ade um lado o vaso (significando o coração do morto), e de outro, a pluna de avestruz (significando a justiça e a verdade). A balança simboliza a justiça, o peso comparado dos atos e das obrigações.

O conhecimento é uma ciência exata e rigorosa: é pesado na balança. Essa medida rigorosa, nós a reencontramos tanto na ordem do conhecimento quanto na pesagem das almas e dos metais.

O equilíbrio simbolizado pela balança indica um retorno à Unidade, à não-manifestaçã o, porque tudo aquilo que é manifestado está sujeito à dualidade e às oposições. O equilíbrio realizado pelos pratox fixados um diante do outro, portanto, significa uma posição para além dos confiltos, que pertencem ao tempo-espaço, à matéria. É a partir do centro da balança e da fixidez do ponteiro que as oposições podem ser encaradas como aspectos complementares”.

Trechos do verbete balança no Dicionário dos Símbolos, de Jean Chevalier e Alain Gheebrant, José Olympio Editora, 8ª edição, 1994.

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