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Archive for fevereiro \17\UTC 2010

Como não estou achando o livro Lágrimas e Sorrisos na internet, coloco aqui um dos melhores textos do livro:

Visita da Sapiência

Na calma noite, veio a sapiência e parou junto ao meu leito, olhou-me como uma mãe extremosa, limpou minhas lágrimas e disse-me: “Ouvi o grito de tua alma e vim para consolá-la. Estende-me teu coração para que eu possa enchê-lo de luz. Inquire-me e mostrar-te-ei o caminho do direito”

Perguntei: “Quem sou, ó sapiência, como cheguei a este lugar medonho? Para que estas singulares aventuras, estes demasiados livros, e estes pensamentos que passam como bandos de pombos?

E que falatório é este, idealizado pela inclinação, espalhado com prazer?

Que significado têm estas tristezas e alegrias que enlaçam minha alma e abraçam o meu coração? Que olhares são estes que me fitam, vêem as minhas entranhas e se desviam dos meus padecimentos?

Que gritos são estes que lamentam os meus dias, e se rejubila de minha pequenez? Que juventude é esta, que brinca com minhas inclinações e escarnece de minha sensibilidade, esquecendo os afazeres de ontem, e alegrando-se com o folguedo do momento? Que mundo é este que me leva aonde não sei, e pára quando estou absorto?

E que terra é esta, com a boca aberta para tragar os corpos, e com o seio descoberto para a residência dos ambiciosos? Quem é este homem, que se contenta com a felicidade, se para obtê-la há o precipício? E que pede o beijo da vida e a morte esbofetea-o, e que compra um minuto de gozo com um ano de arependimento, que se entrega a Morfeu, e os sonhos chamam-no, e que caminha com as ribeiras da ignorância para o vale das trevas? Que são todas essas coisas, ó sapiência?…”

Respondeu: “Tú, ó humano, queres ver este mundo com olhar de divindade e queres compreender o mistério do mundo futuro com pensares humanos? Isto é o cúmulo do atrevimento! Vai para a campina e acharás a abelha volteando nas flores, e o gavião investindo contra a presa. Entra na casa de teu vizinho, verás a criança admirada com o clarão do fogo, e a mãe ocupada nos afazeres domésticos.

Sê como as abelhas, e não gastes os dias da primavera observando o gavião. Sê como o infante, alegra-te com o clarão do fogo, e deixa tua mãe com os seus afazeres.

Tudo o que vês, é e será para ti!

Os livros demasiados, os traços estranhos e os belos pensamentos são imagens das almas dos teus antepassados. As conversações que foram por ti abordadas, o que intervinha entre ti e teus irmãos, o homem, e as significações tristes e alegres – são sementes; semeou-as o passado no campo da alma, e o futuro as colherá.

A juventude que brinca com tuas inclinações abrirá a porta do teu coração para a luz entrar.

A Terra que está com a boca aberta libertará a tua alma do cativeiro. Este mundo que te arrasta é teu coração, e o teu coração é tudo de que desconfias, sabedor que este homem que tu julgas ignirante e pequeno, veio da parte de Deus para aprender a alegria pela tristeza e a ciência pelas trevas”

Deitou a sapiência a sua mão na minha fronte ardente e disse: “Vai para a frente e não pares nunca. Não receies os espinhos do caminho. A frente é a perfeição.”

Estudando esoterismo, sempre nos deparamos com o fato de que nem sempre podemos entender tudo o que nos cerca, que há um plano, uma visão, a qual não estamos preparados para ver ainda. Nesse texto de K. Gibran, o eu lírico pergunta à sapiência coisas que ele não entende com sua própria visão. Ele exigia uma resposta da sapiência, que pode ser considerada um símbolo de toda essa energia superior oculta e imcompreensível.

Vendo a resposta da sapiência, me pergunto até que ponto não devemos indagar o que nos turva o entendimento.  O ser humano é o único ser na Terra capaz de se perguntar “quem sou?”, “de onde vim?” e “para onde vou?”. Essas prguntas são o motor para tanta evolução social e tecnológica existentes. Talvez o erro do personagem do texto tenha sido tomar tudo isso com revolta, como se ele não estivesse inserido e não contribuisse de alguma forma para o mundo que questionou.

A análise do micro sem a análise do macro é perigosa, é cega. Tentar analisar o macro sem analisar sabiamente o micro, é igualmente cego. “Este mundo que te arrasta é teu coração, e o teu coração é tudo de que desconfias”: é necessário mudar-se, para mudar o mundo.

O autor fala muito em honrar os antepassados e faz alusão à reencarnação (“e as significações tristes e alegres – são sementes; semeou-as o passado no campo da alma, e o futuro as colherá”). Não consegui informações sobre sua religião ou orientação espiritual mas, a meu ver, seus textos são universais. Na wikipédia há a informação de que há muitas referências à Bíblia, além de ter escrito o livro Jesus, o Filho do Homem(1928).

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O primeiro livro de Khalil Gibran que tive o privilégio de ler foi O Profeta. Gostei tanto que procurei mais livros dele em sebos. Leio agora Lagrimas e Sorrisos. Khalil não queria que esse livro fosse publicado, só o foi a pedido de amigos dele, isto porque são textos escritos em sua juventude, cheios de sonhos e sentimentos de querer mudar o mundo. Neles estão o registro de suas primeiras experiencias com o amargo da vida e toda a revolta causada no poeta.

Foi um choque para mim encontrar-me com essa sua nova face, ainda mais quando se acostuma com o embalo de “sabedoria anciã” de O Profeta. Num dos textos de Lágrimas e Sorrisos há uma trecho compreensivelmente grifado pelo antigo dono do livro:

Só medito no que me disseste, naquele momento em que separaste de mim: “que todos os entes são depositários de lágrimas, e que têm de devolvê-las um dia”.

Do texto “As filhas do Mar”

Assim que conseguir um link com esse livro edito esse post! Aqui fica o link para O Profeta:

http://www.starnews2001.com.br/kahlil/profeta.pdf

urtado Rodrigues

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