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Archive for the ‘ocultismo’ Category

Comecei a ler o livro sem muitas expectativas.. pensei que o autor seria mais uma dessas personalidades que absorvem alguns conceitos do ocultismo e da espiritualidade e já se consideram mestres. Pobres são estes, engolidos pelo próprio Ego.Porém, Paul Brunton felizmente não caiu nesta armadilha, pelo menos neste livro (não li outros ainda).

Bom, nesse 2011 já começo com muito material para escrever aqui para vocês. No próximo post contarei um pouco da minha experiência num Ashram Hare Krishna, onde estive nessa passagem de ano. Minha história lá e a percepção de alguns capítulos do livro Um eremita no Himalaia se confudem. Pude apreciar desta literatura deitada na rede, praticando o ócio saudável das reflexões, em meio à bela natureza de Teresópolis – RJ.

Voltando para o livro, ele é basicamente o relato de um retiro espiritual que o autor fez no Himalaia, que hospedou-se num bangalô somente com a companhia de um criado. Imerso em meditações, tece comentários sobre suas vivências lá, a realidade do Tibete da época, hinduísmo e budismo.

Logo no primeiro capítulo, podemos nos deparar com o seguinte parágrafo:

Melhor do que tudo, já se teve o prazer de reencontrar velhos amigos e novas amizades. É bem verdade que um homem que baseia suas amizades na afinidade espiritual e não nos vínculos de interesse nem nas ligações mundanas, não pode esperar contá-las em grande número, pois os ditames do Eu Superior têm de ser obedecidos e os diferentes graus de compreensão (e, como frequentemente me é dado observar, de incompreensão) propriamente ditos erguem barreiras intransponíveis entre aqueles a quem Deus não uniu no prazer da amizade.

É realmente difícil encontrar amizades assim, com esse vínculo superior. Conheço histórias de grupos realmente integrados em objetivos espirituais,  como cavaleiros de uma távola contemporânea, mas sinto que agora são somente passado… O que nos tem impedido de realizar esse tipo de união, mesmo que com esse número reduzido de pessoas?

Descrição do livro no Skoob (rede social de leitores): http://www.skoob.com.br/livro/35814

Haribol!! =]

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As pessoas temem a morte por desconhecê-la… Mas uma vez acreditando-se que ela é somente uma passagem, se torna simplesmente libertação, pois aqui, onde estamos, há sofrimento. Viemos aqui para sofrer e aprender. Lá, do outro lado, não há sofrimento, só Deus.

Vendo um dos programas “Passagem para”, do canal Futura, lembro-me muito bem de, em uma país, a morte ser festejada e o nascimento ser chorado. Bem, a vida pode ser tudo: pedaço de céu ou de inferno. Depende do que fazemos com ela.

Abaixo, o poema de inspiração desse post:

Adeus!

Adeus, mundo ingrato, vou-me embora!
Amigo meu não és, nem teu sou.
Muito tempo entre a turba vaguei,
Qual barca perdida no oceano;
Mero joguete muito tempo fui;
Mas agora, mundo ingrato, vou-me!

Adeus digo à vil bajulação;
à ríspida e fútil soberbia;
à vã arrogância da fortuna;
Aos salões, às cortes, e às ruas;
Aos empedernidos e apressados;
Aos que de cá e de lá correm.
Adeus, mundo ingrato, vou-me embora!

Vou-me de volta à minha morada,
Em verdes colinas isolada,
Canto secreto em país ameno
Cujos bosques fadas planejaram,
Onde sorri a vida sem cessar
Ao canto alegre da passarada,
E pés profanos jamais pisaram,
Recanto sagrado a Deus e ao mundo.

Posto a salvo em seu refúgio
Espezinharei o antigo orgulho,
E estirado sob os pinheirais,
Onde brilha a vespertina estrela,
Rir-me-ei das humanas histórias,
Dos escolásticos e letrados,
Que eles nada são em sua altivez,
Pois nas matas se pode achar Deus.

Ralph Waldo Emerson

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“A balança é conhecida na qualidade de símbolo da justiça, da medida, da prudência, do equilíbrio, porque sua função corresponde precisamente à pesagem dos atos. Associada à espada, a balança é também a Justiça, mas duplicada pela Verdade. No plano social, trata-se de emblemas da função administrativa e da função militar, que são as do poder dos reis e que caracterizam, na Índia, a casta dos Kshatriya.També m essa é a razão pela qual, na China, a balança é um dos atributos do Ministro, associada, desta vez, a um torno de oleiro. /representada nas lojas das sociedades secretas chinesas, a balança significa o direito e a justiça.

A balança como símbolo do Julgamento é apenas uma extensão da aceitação do precedente da Justiça divina. No antigo Egito, Osíris pesava a alma dos mortos; na iconografia cristã, a balança é segurada por São Miguel, o Arcanjo do Julgamento; a balança do Julgamento também é evocado no Corão; no Tibete, os pratos da balança destinada à pesagem das boas e das más ações do homem são respectivamente enchidos de pedras brancas e de pedras negras. Na Pérsia, o anjo Rashn, colocado ao é de Mitra, pesa os espíritos sobre a ponte do destino; um vaso grego representa Hermes a pesar as almas de Aquiles e de Pátroclo.

Abarcando as noções de justiça, como também de medida e de ordem, a balança entre os gregos é representada por Têmis, que rege os mundos, segundo uma lei universal. No dizer de Hesíodo, ela é filha de Urano (o céu) e de Gaia (a terra), portanto filha da matéria e do espírito, do visível e do invisível. Na Ilíada, aparece também como um símbolo do destino, tal como o testemunha o combate de Aquiles e Heitor: Ei-los que retornam às fontes desta quarta vez. Desta vez, o Pai dos Deuses faz uso de sua balança de ouro; nela coloca as duas deusas da morte dolorosa, a de Aquiles e a de Heitor, o domador de éguas; depois, tomando-a pelo meio, ergue-a, e esse é o dia fatal de Heitor que, por seu peso, faz descer a balança e desaparece no Hades. Então Febo Apolo o abandona.

Como a noção de destino implica a de tempo vivido, compreender- se-á que a balança seja igualmente o emblema de Saturno ou Cronos. Juiz e executor, Cronos mede a vida humana, também estabelecendo o equilíbrio, igual ou não, entre os anos, as estações, os dias e as noites. Pode-se sublinhar aqui que o signo zodiacal da balança é atingido no equinócio do outono; no equinócio da primavera começa o de Áries; nesssas datas, o dia e a noite equilibram-se. Do mesmo modo, os movimentos dos pratos da balança, como os do sol no ciclo anual, correspondem ao peso relativo de yin e do yang, do obscuro e da luz, o que reconduz, sem variação simbólica notável, da Grécia à China clássicas. A fecha (ponteiro), quando os pratos estão em equilíbrio (equinócio) – ou a espada que a ela se identifica – é símbolo do Invariável Meio. O eixo polar que o representa termina na Ursa Maior, que a China antiga denominava Balança de Jade.

A balança é,ainda, o equilíbrio das forças naturais, de todas as coisas feitas para serem unidas (Devoucoux), dasquais os antigos símbolos eram as pedras oscilantes.

Ao equilibrar  as coisas e o tempo, o visível e o invisível, compreende-se que a ciência ou o domínio da Balança seja familiar ao hermetismo e à alquimia: esta cicência é das correspondências entre o universo corporal e o universo espiritual, entre a Terra e o Cèu (v. o Livro das Balanças de Jabîr ibn-Hayyan). E essa balança (mizan) é transferida pelo esoterismo islâmico até mesmo para o plano da linguagem e da escrita, a balança das letras estabelecendo a mesma relação das letras à lingaugem designa à sua natureza essencial. Levar a barra (ou travessão) de tais balanças à horizontar significa sem dúvida alcançar a suprema Sabedoria.

O Livro dos Mortos, dos antigos egípcios, permite-nos fazer uma idéia da Psicostasia, a pesagem (ou julgamento) das almas; nos pratos da balança, ade um lado o vaso (significando o coração do morto), e de outro, a pluna de avestruz (significando a justiça e a verdade). A balança simboliza a justiça, o peso comparado dos atos e das obrigações.

O conhecimento é uma ciência exata e rigorosa: é pesado na balança. Essa medida rigorosa, nós a reencontramos tanto na ordem do conhecimento quanto na pesagem das almas e dos metais.

O equilíbrio simbolizado pela balança indica um retorno à Unidade, à não-manifestaçã o, porque tudo aquilo que é manifestado está sujeito à dualidade e às oposições. O equilíbrio realizado pelos pratox fixados um diante do outro, portanto, significa uma posição para além dos confiltos, que pertencem ao tempo-espaço, à matéria. É a partir do centro da balança e da fixidez do ponteiro que as oposições podem ser encaradas como aspectos complementares”.

Trechos do verbete balança no Dicionário dos Símbolos, de Jean Chevalier e Alain Gheebrant, José Olympio Editora, 8ª edição, 1994.

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Estava arrumando uns arquivos antigos e bagunçados, quando achei um arquivo sobre a Luxúria, na visão de Krishna. Em tempos de Kali-Yuga* como os nossos, se quisermos evoluir espiritualmente é preciso extrema vigilância dos sentidos. As tentações dos sentidos são muito grandes, mas constituem apenas maya**, transitória e irrelevante.

Arjuna disse: Ó Krishna, o que impele alguém a cometer pecados ou ações egoístas, mesmo contra a sua vontade, sendo forçada de novo a querê-los? (3.36)

O Senhor Krishna disse: é a luxúria, nascida dentre a paixão, que se transforma em ira quando insatisfeita. A luxúria é insaciável, e é um grande demônio. Conheça-a como o inimigo. (3.37)

O modo da paixão é a ausência do equilíbrio mental conduzido pela vigorosa atividade para alcançar os frutos do desejo. Luxúria, o desejo passional e egoísta por todo o prazer sensual e material, é o produto do modo da paixão. A luxúria torna-se ira se não satisfeita. Quando o alcançar dos frutos é impedido ou interrompido, o intenso desejo por sua realização transforma-se em ira feroz. Por conseguinte, o Senhor nos disse que a luxúria e a ira são dois poderosos inimigos que podem conduzir alguém a cometer pecados e retirar do caminho da auto-realização, a suprema meta da vida humana. Atualmente, os desejos materiais compelem uma pessoa para ocupar-se em atividades pecaminosas. Controle o seu querer, porque seja o que for o que você quiser exigirá de você. O senhor Buddha disse: “O desejo egoísta é a raiz de todos os males e misérias”.

Como o fogo é encoberto pela fumaça, um espelho é encoberto pelo pó, e como um embrião está encoberto pelo ventre, de forma similar, o autoconhecimento é encoberto pelos diferentes degraus da luxúria insaciável, a inimiga eterna do sábio. (3.38-39)

A luxúria e o autoconhecimento são eternos inimigos. A luxúria somente pode ser destruída pelo autoconhecimento. Onde mora a luxúria, e como alguém deve controlar os sentidos para subjugar a luxúria, é dado abaixo:

Os sentidos, a mente e a inteligência dizem-se que são o lugares da luxúria. A luxúria ilude uma pessoa controlando-lhe os sentidos, a mente, a inteligência, e velando o autoconhecimento. (3.40)

Portanto, pelo controle dos sentidos, primeiro mate todos os maldosos desejos materiais (ou luxúria), que destrói o autoconhecimento e a auto-realização. (3.41)

O poderoso inimigo, a luxúria, escraviza a inteligência por usar a mente como seu amigo e os sentidos e os objetos dos sentidos como seus soldados. Estes soldados mantém a alma individual iludida, e obscurecem a Verdade Absoluta, como uma parte do drama da vida. O sucesso ou o fracasso na nossa função, na ação, depende de como nós cuidamos nossas funções individuais e alcançamos nosso destino.

Todos os desejos não podem – e não precisam – ser eliminados, mas desejos egoístas, e motivos pessoais egoístas, precisam ser eliminados para o progresso espiritual. Todas as nossas ações – pelos pensamentos, palavras e obras – incluindo os desejos, devem ser direcionados para glorificar a Deus, e para o bem da humanidade. As escrituras dizem: “O mortal quando se libera do cativeiro dos desejos egoístas torna-se imortal, e alcança a liberação, mesmo nesta vida (KaU 6.14, BrU 4.04.07).

*Kali-Yuga: Brahma é o próprio universo, e tem 4 idades. Estamos em plena Kali-Yuga, a idade de ferro, na qual todas as centelhas de vida que fracassaram em sua evolução têm suas últimas chances de se redimir e se iluminar.

**Maya: ilusão, em sânscrito

PAX!

Karina

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Mario Roso de Luna.. Grande Sábio! Vejam:

“Em artigo que escreveu para ‘El Liberal’, de Madri, transcrito, na época, em Dhârânâ, assim se expressava:

‘O messianismo foi sempre o achaque dos débeis, que esperam de um enviado a redenção que lhes há de vir de si mesmos. Prometeu, encadeado, espera por Epimeteu Libertador, na tragédia de Ésquilo. Os hebreus esperavam um rei. Na Idade Média esperou-se também pelo Cristo. E o Cristo que veio, foi na Renascença, na qual ARTE E CIÊNCIA SE EMANCIPARAM DO JUGO RELIGIOSO que as oprimia’.

E quando interpelado sobre o papel de Krishna, Buda, Jesus, etc. respondeu o seguinte:

‘Foram seres superiores que pregaram doutrinas eficazes para que os homens de sua época (como os de hoje, dizemos nós) se redimissem por si mesmos (“Faze por ti, que Eu te ajudarei”, repetimos nós). Nenhum deles fundou a religião confessional que se lhes atribui. Quem fundou todas elas foi o imperialismo psíquico de seus pretensos discípulos, que, escravos do inerte dogma que criavam, esqueceram que religião não é crença, mas, a dupla ligação de fraternidade entre os homens segundo sua etimologia latina (sim, do religo, religare ou religar, religião, tornar a ligar ou unir, etc)’ ”.

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Na minha juventude, contaram-me que havia uma cidade onde todos viviam de acordo com as Escrituras.

E eu disse: “Procurarei essa cidade e a benção que nela há.” E era distante. E fiz grandes provisões para minha jornada. E depois de quarenta dias, contemplei a cidade; e no quadragésimo-primeiro dia, nela entrei.

E oh! todos os habitantes só tinham um olho e uma mão. E fiquei assombrado, e disse comigo: “Será que para viver nesta cidade santa, deve-se ter apenas um olho e uma mão?”

Então, vi que eles também estavam assombrados por minhas duas mãos e meus dois olhos. E, enquanto falavam entre si, interroguei-os, dizendo: “É esta, realmente, a Cidade Santa, onde todo homem vive de acordo com as Escrituras?” E responderam: “Sim, esta é a cidade.”

“E que aconteceu convosco,” perguntei, “e onde estão vossos olhos direitos e vossas mãos direitas?”

Eles ficaram perplexos diante da minha ignorância. E disseram: “Vem e vê.”

E levaram-me ao templo, no centro da cidade. E no templo, vo um montão de mãos e olhos, todos murchos. E perguntei: “Ai! que conquistador cometeu essa crueldade para convosco?”

E houve um murmúrio entre eles. E um dos mais velhos adiantou-se e disse: “Nós mesmos fizemos isso. Deus nos fez vencedores do mal que havia em nós.”

E levou-me a um altar elevado, e todo o povo nos seguiu. Ele mostrou-me, acima do altar, uma inscrição gravada, e li: “Se teu olho direito te escandalizar, arranca-o e joga-o fora; porque é melhor para ti que um dos teus membros pereça, do que teu corpo inteiro seja lançado no inferno.”

Então compreendi. E voltei-me para o povo todo e gritei: “Nenhum homem ou mulher, entre vós, tem dois olhos e duas mãos?”

E responderam-me, dizendo: “Não, nenhum. Não há ninguém inteiro, a não ser os que são ainda demasiado jovens para ler as Escrituras e compreender seu mandamento.”

E quando saímos do templo, deixei imediatamente aquela Cidade Abençoada; pois não era demasiadamente jovem, e podia ler as Escrituras.

Gibran Khalil Gibran, no livro O Louco

O que posso comentar sobre o texto além do ensinamento do Mestre Henrique José de Souza de que não devemos ler a “letra que mata, mas sim o espírito que vivifica”?

Namastê!

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“Perguntais-me como me tornei louco. Aconteceu assim:

Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscaras pelas ruas cheias de gente, gritando: “Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”
Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.
E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou: “É um louco!”. Olhei para cima, para vê-lo. O sol beijou pela primeira vez minha face nua.
Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe, gritei: “Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!”
Assim me tornei louco.
E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.”

Gibran Khalil Gibran

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