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Archive for the ‘Poesia’ Category

Nada mais revigorante que Drummond! Quem diria que não dava valor a ele quando tinha que estudá-lo para o vestibular… Esse poema é potencialmente admirado por todos os gauches da vida. Bom, eu me incluo aí. Mas quem disse que ser droite tem graça?

Poema de sete faces

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do -bigode,

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

Carlos Drummond de Andrade


. . . ils s’acheminèrent vers un château immense, au frontispice duquel on lisait: “Je n’appartiens à personne et j’appartiens à tout le monde. Vous y étiez avant que d’y entrer, et vous y serez encore quand vous en sortirez.”

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As pessoas temem a morte por desconhecê-la… Mas uma vez acreditando-se que ela é somente uma passagem, se torna simplesmente libertação, pois aqui, onde estamos, há sofrimento. Viemos aqui para sofrer e aprender. Lá, do outro lado, não há sofrimento, só Deus.

Vendo um dos programas “Passagem para”, do canal Futura, lembro-me muito bem de, em uma país, a morte ser festejada e o nascimento ser chorado. Bem, a vida pode ser tudo: pedaço de céu ou de inferno. Depende do que fazemos com ela.

Abaixo, o poema de inspiração desse post:

Adeus!

Adeus, mundo ingrato, vou-me embora!
Amigo meu não és, nem teu sou.
Muito tempo entre a turba vaguei,
Qual barca perdida no oceano;
Mero joguete muito tempo fui;
Mas agora, mundo ingrato, vou-me!

Adeus digo à vil bajulação;
à ríspida e fútil soberbia;
à vã arrogância da fortuna;
Aos salões, às cortes, e às ruas;
Aos empedernidos e apressados;
Aos que de cá e de lá correm.
Adeus, mundo ingrato, vou-me embora!

Vou-me de volta à minha morada,
Em verdes colinas isolada,
Canto secreto em país ameno
Cujos bosques fadas planejaram,
Onde sorri a vida sem cessar
Ao canto alegre da passarada,
E pés profanos jamais pisaram,
Recanto sagrado a Deus e ao mundo.

Posto a salvo em seu refúgio
Espezinharei o antigo orgulho,
E estirado sob os pinheirais,
Onde brilha a vespertina estrela,
Rir-me-ei das humanas histórias,
Dos escolásticos e letrados,
Que eles nada são em sua altivez,
Pois nas matas se pode achar Deus.

Ralph Waldo Emerson

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Ombra Mai Fu é uma ária de Händel que conta a história do imperador Xerxes. Deste, um ditador, só se espera brutalidade e intolerância, porém, ele se depara com a sombra de uma árvore e entre em um pleno estado de contemplação da natureza. Eis a letra:

Ombra mai fu (Nunca houve sombra)
di vegetabile (de uma árvore)
Cara ed amabile (tão querida, amável)
soave piú. (e suave.)

Estou trabalhando essa ária em minhas aulas de canto… e realmente me sinto encantada. A emoção que a letra conjugada com a melodia traz, é de êcstase profundo causado pela beleza e perfeição da natureza. Eu posso sentir o mesmo quando percebo as tonalidades de verde da vegetação em dias ensolarados… os dias quentes nos quais a brisa vem amigavelmente me envolver com um abraço…

Já vi dezenas de videos da música no youtube. Deixo para vocês um dos que mais me tocou pela suavidade da cantora:

Se não conseguir visualizar daqui do blog, eis o link:

Namastê!

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Dissolvo-me em mim
Desintegro-me
Um sonho
Solvido na dissolução
Dissolvido na solução

Solução
De quê?
Pra quê?
Por quê?

Sou amorfa, amontoado de células sem motivo de ser…
Não! Sou caos no meio da ordem,
Vazio no meio do cheio.
Cheia de Vazio.

O Vazio não precisa de razão.

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(Sim Aleixo, estou copiando me inspirando no seu último post :P)

vamos bailar un tango
un tango para el fin de los tiempos
mis piernas no son mas mias
son tuyas, nuestras

nuestras piernas, juntas
son de nadie, apenas del tiempo
el tiempo que no nos pertence
que llega a su final…

pero no puedo creer que no haya
un nuevo comienzo
algo despues del abandono
despues de las miradas

despues del tango
despues de mi
despues de tú
despues de nuestras piernas…

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