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Archive for the ‘Reflexões’ Category

Nada mais revigorante que Drummond! Quem diria que não dava valor a ele quando tinha que estudá-lo para o vestibular… Esse poema é potencialmente admirado por todos os gauches da vida. Bom, eu me incluo aí. Mas quem disse que ser droite tem graça?

Poema de sete faces

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do -bigode,

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

Carlos Drummond de Andrade


. . . ils s’acheminèrent vers un château immense, au frontispice duquel on lisait: “Je n’appartiens à personne et j’appartiens à tout le monde. Vous y étiez avant que d’y entrer, et vous y serez encore quand vous en sortirez.”

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Comecei a ler o livro sem muitas expectativas.. pensei que o autor seria mais uma dessas personalidades que absorvem alguns conceitos do ocultismo e da espiritualidade e já se consideram mestres. Pobres são estes, engolidos pelo próprio Ego.Porém, Paul Brunton felizmente não caiu nesta armadilha, pelo menos neste livro (não li outros ainda).

Bom, nesse 2011 já começo com muito material para escrever aqui para vocês. No próximo post contarei um pouco da minha experiência num Ashram Hare Krishna, onde estive nessa passagem de ano. Minha história lá e a percepção de alguns capítulos do livro Um eremita no Himalaia se confudem. Pude apreciar desta literatura deitada na rede, praticando o ócio saudável das reflexões, em meio à bela natureza de Teresópolis – RJ.

Voltando para o livro, ele é basicamente o relato de um retiro espiritual que o autor fez no Himalaia, que hospedou-se num bangalô somente com a companhia de um criado. Imerso em meditações, tece comentários sobre suas vivências lá, a realidade do Tibete da época, hinduísmo e budismo.

Logo no primeiro capítulo, podemos nos deparar com o seguinte parágrafo:

Melhor do que tudo, já se teve o prazer de reencontrar velhos amigos e novas amizades. É bem verdade que um homem que baseia suas amizades na afinidade espiritual e não nos vínculos de interesse nem nas ligações mundanas, não pode esperar contá-las em grande número, pois os ditames do Eu Superior têm de ser obedecidos e os diferentes graus de compreensão (e, como frequentemente me é dado observar, de incompreensão) propriamente ditos erguem barreiras intransponíveis entre aqueles a quem Deus não uniu no prazer da amizade.

É realmente difícil encontrar amizades assim, com esse vínculo superior. Conheço histórias de grupos realmente integrados em objetivos espirituais,  como cavaleiros de uma távola contemporânea, mas sinto que agora são somente passado… O que nos tem impedido de realizar esse tipo de união, mesmo que com esse número reduzido de pessoas?

Descrição do livro no Skoob (rede social de leitores): http://www.skoob.com.br/livro/35814

Haribol!! =]

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As pessoas temem a morte por desconhecê-la… Mas uma vez acreditando-se que ela é somente uma passagem, se torna simplesmente libertação, pois aqui, onde estamos, há sofrimento. Viemos aqui para sofrer e aprender. Lá, do outro lado, não há sofrimento, só Deus.

Vendo um dos programas “Passagem para”, do canal Futura, lembro-me muito bem de, em uma país, a morte ser festejada e o nascimento ser chorado. Bem, a vida pode ser tudo: pedaço de céu ou de inferno. Depende do que fazemos com ela.

Abaixo, o poema de inspiração desse post:

Adeus!

Adeus, mundo ingrato, vou-me embora!
Amigo meu não és, nem teu sou.
Muito tempo entre a turba vaguei,
Qual barca perdida no oceano;
Mero joguete muito tempo fui;
Mas agora, mundo ingrato, vou-me!

Adeus digo à vil bajulação;
à ríspida e fútil soberbia;
à vã arrogância da fortuna;
Aos salões, às cortes, e às ruas;
Aos empedernidos e apressados;
Aos que de cá e de lá correm.
Adeus, mundo ingrato, vou-me embora!

Vou-me de volta à minha morada,
Em verdes colinas isolada,
Canto secreto em país ameno
Cujos bosques fadas planejaram,
Onde sorri a vida sem cessar
Ao canto alegre da passarada,
E pés profanos jamais pisaram,
Recanto sagrado a Deus e ao mundo.

Posto a salvo em seu refúgio
Espezinharei o antigo orgulho,
E estirado sob os pinheirais,
Onde brilha a vespertina estrela,
Rir-me-ei das humanas histórias,
Dos escolásticos e letrados,
Que eles nada são em sua altivez,
Pois nas matas se pode achar Deus.

Ralph Waldo Emerson

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Pessoal, depois de longa data eu volto aqui com um post que considero, no mínimo, digno de reflexão. Estou lendo o livro O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, e me deparei com um conceito que até então não conhecia: o hedonismo.

Hedonismo

O hedonismo (do gregohedonê, “prazer”, “vontade”) é uma teoria ou doutrina filosófico-moral que afirma ser o prazer o supremo bem da vida humana. Surgiu na Grécia, e importantes representantes foram Aristipo de Cirene e Epicuro. O hedonismo filosófico moderno procura fundamentar-se numa concepção mais ampla de prazer entendida como felicidade para o maior número de pessoas.

O significado do termo em linguagem comum, bastante diverso do significado original, surgiu no iluminismo e designa uma atitude de vida voltada para a busca egoísta de prazeres materiais. Com esse sentido, “hedonismo” é usado de maneira pejorativa, visto normalmente como sinal de decadência.

Lord Henry Lotton é o personagem que encarna essa mentalidade no livro. É impressionante como suas palavras, venenosas e sedutoras ao mesmo tempo, ditam as ações e posturas de Dorian Gray  – o personagem central do livro – em toda sua vida. Aqui deixo algumas falas, a maioria de Lord Henry , que ilustram o pensamento hedonista e cínico:

“A insinceridade é algo assim tão terrível? Creio que não. É um simples método por que podemos multiplicar nossas personalidades.”

 

‎”Sentia que as conhecia todas, aquelas figuras terríveis, singulares, que atravessaram o palco do mundo e fizeram do pecado algo tão maravilhoso e do mal, algo tão cheio de sutileza.”

 

“O motivo por que tanto gostamos de pensar bem dos outros é que todos nós temos medo de nós mesmos. A base do otimismo é o terror puro. Pensamos que somos generosos, pois creditamos ao próximo a posse das virtudes propensas a nos beneficiar. Enaltecemos o banqueiro para que possamos sacar a descoberto, e descobrimos boas qualidades no salteador  de estradas na esperança de que nos poupe os bolsos. […] Tenho o maior desprezo pelo otimismo. E, quanto a estragar vidas, a única vida que se estraga é aquela da qual se apreende a evolução.”

 

“Ser generoso é estar em harmonia com nosso próprio ser. Estar em discórdia é sermos forçados a estar em harmonia com os outros. Nossa própria vida… eis o que é importante. Quanto à vida de nosso próximo, se alguém deseja ser gatuno, ou puritano, podemos, a respeito dele, apenas alardear nossos pontos de vista morais, mas não temos nada com ele. Além disso, o individualismop apresenta, na verdade, objetivo mais elevado. A moralidade moderna consiste em aceitar o padrão da idade de uma pessoa. Para o homem de cultura, acredito eu, aceitar o padrão da própria idade é uma forma da mais grosseira imoralidade.”

Apesar de sedutores, estes pensamentos são extremamente simplistas. Não consideram as inúmeras facetas inerentes ao ser humano, o reduzem à escravidão pelo prazer. A busca pelo prazer, somente, cega o discernimento e torna a vida vazia e mais efêmera do que já é. Acho que já coloquei essa frase num post aqui, mas não custa repetí-la:

“Assim cavalgam no tempo os dias e os anos e atrás deles segue o homem empunhando as rédeas dos seus desejos e paixões. Não sente a suavidade da brisa, nem a força do temporal. E se um infeliz tem a sorte de escapar de seu cárcere e fala do zéfino e do furacão, todos o olham com compaixão, porque o crêem alienado. Então ele se retira, lamentando-se: ‘Gritei e ninguém me ouviu.’ Pois bem uma vez que temem o ar puro, deixemos que se asfixiem em sua prisão putrefata e nauseabunda.” do livro Adonai

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Estava no avião, indo para a Bahia… nessas horas, não há melhor companhia que um bom livro. E tive sorte na escolha! O que levei foi o “Conversas sobre Política” do Rubem Alves, com vários pequenos textos sobre o assunto. A visão do autor ora pessimista, ora esperançosa, nos intriga e nos faz refletir, principalmente nesta época de eleições, sobre onde realmente está a raiz dos males de nossa sociedade brasileira. Não são apenas maus políticos: ele traz à tona o indivíduo moral x sociedade imoral, os maus votos e o afastamento dos ‘políticos por vocação’ da política, por causa dos excrementos de ‘políticos por profissão’. Os questionamentos também se estendem para o dia-a-dia, nos lembrando que nós, seres humanos, somos inatos políticos do cotidiano.

Deixo um texto do livro aqui para vocês:

De todas as vocações, a política é a mais nobre. Vocação, do latim vocare, quer dizer chamado. Vocação é um chamado interior de amor: chamado de amor por um ‘fazer’. No lugar desse ‘fazer’ o vocacionado quer ‘fazer amor’ com o mundo. Psicologia de amante: faria, mesmo que não ganhasse nada.
‘Política’ vem de polis, cidade. A cidade era, para os gregos, um espaço seguro, ordenado e manso, onde os homens podiam se dedicar à busca da felicidade. O político seria aquele que cuidaria desse espaço. A vocação política, assim, estaria a serviço da felicidade dos moradores da cidade.

Talvez por terem sido nômades no deserto, os hebreus não sonhavam com cidades: sonhavam com jardins. Quem mora no deserto sonha com oases. Deus não criou uma cidade. Ele criou um jardim. Se perguntássemos a um profeta hebreu ‘o que é política?’, ele nos responderia, ‘a arte da jardinagem aplicada às coisas públicas’.

O político por vocação é um apaixonado pelo grande jardim para todos. Seu amor é tão grande que ele abre mão do pequeno jardim que ele poderia plantar para si mesmo. De que vale um pequeno jardim se à sua volta está o deserto? É preciso que o deserto inteiro se transforme em jardim.

Amo a minha vocação, que é escrever. Literatura é uma vocação bela e fraca. O escritor tem amor mas não tem poder. Mas o político tem. Um político por vocação é um poeta forte: ele tem o poder de transformar poemas sobre jardins em jardins de verdade. A vocação política é transformar sonhos em realidade. É uma vocação tão feliz que Platão sugeriu que os políticos não precisam possuir nada: bastar-lhes-ia o grande jardim para todos. Seria indigno que o jardineiro tivesse um espaço privilegiado, melhor e diferente do espaço ocupado por todos. Conheci e conheço muitos políticos por vocação. Sua vida foi e continua a ser um motivo de esperança.

Vocação é diferente de profissão. Na vocação a pessoa encontra a felicidade na própria ação. Na profissão o prazer se encontra não na ação. O prazer está no ganho que dela se deriva. O homem movido pela vocação é um amante. Faz amor com a amada pela alegria de fazer amor. O profissional não ama a mulher. Ele ama o dinheiro que recebe dela. É um gigolô.

Todas as vocações podem ser transformadas em profissões O jardineiro por vocação ama o jardim de todos. O jardineiro por profissão usa o jardim de todos para construir seu jardim privado, ainda que, para que isso aconteça, ao seu redor aumente o deserto e o sofrimento.

Assim é a política. São muitos os políticos profissionais. Posso, então, enunciar minha segunda tese: de todas as profissões, a profissão política é a mais vil. O que explica o desencanto total do povo, em relação à política. Guimarães Rosa, perguntado por Günter Lorenz se ele se considerava político, respondeu: ‘Eu jamais poderia ser político com toda essa charlatanice da realidade… Ao contrário dos ‘legítimos’ políticos, acredito no homem e lhe desejo um futuro. O político pensa apenas em minutos. Sou escritor e penso em eternidades. Eu penso na ressurreição do homem.’ Quem pensa em minutos não tem paciência para plantar árvores. Uma árvore leva muitos anos para crescer. É mais lucrativo cortá-las.

Nosso futuro depende dessa luta entre políticos por vocação e políticos por profissão. O triste é que muitos que sentem o chamado da política não têm coragem de atendê-lo, por medo da vergonha de serem confundidos com gigolôs e de terem de conviver com gigolôs.

Escrevo para vocês, jovens, para seduzi-los à vocação política. Talvez haja jardineiros adormecidos dentro de vocês. A escuta da vocação é difícil, porque ela é perturbada pela gritaria das escolhas esperadas, normais, medicina, engenharia, computação, direito, ciência. Todas elas, legítimas, se forem vocação. Mas todas elas afunilantes: vão colocá-los num pequeno canto do jardim, muito distante do lugar onde o destino do jardim é decidido. Não seria muito mais fascinante participar dos destinos do jardim?

Acabamos de celebrar os 500 anos do descobrimento do Brasil. Os descobridores, ao chegar, não encontraram um jardim. Encontraram uma selva. Selva não é jardim. Selvas são cruéis e insensíveis, indiferentes ao sofrimento e à morte. Uma selva é uma parte da natureza ainda não tocada pela mão do homem. Aquela selva poderia ter sido transformada num jardim. Não foi. Os que sobre ela agiram não eram jardineiros. Eram lenhadores e madeireiros. E foi assim que a selva, que poderia ter se tornado jardim para a felicidade de todos, foi sendo transformada em desertos salpicados de luxuriantes jardins privados onde uns poucos encontram vida e prazer.
Há descobrimentos de origens. Mais belos são os descobrimentos de destinos. Talvez, então, se os políticos por vocação se apossarem do jardim, poderemos começar a traçar um novo destino. Então, ao invés de desertos e jardins privados, teremos um grande jardim para todos, obra de homens que tiveram o amor e a paciência de plantar árvores à cuja sombra nunca se assentariam.

Boas reflexões!

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Como não estou achando o livro Lágrimas e Sorrisos na internet, coloco aqui um dos melhores textos do livro:

Visita da Sapiência

Na calma noite, veio a sapiência e parou junto ao meu leito, olhou-me como uma mãe extremosa, limpou minhas lágrimas e disse-me: “Ouvi o grito de tua alma e vim para consolá-la. Estende-me teu coração para que eu possa enchê-lo de luz. Inquire-me e mostrar-te-ei o caminho do direito”

Perguntei: “Quem sou, ó sapiência, como cheguei a este lugar medonho? Para que estas singulares aventuras, estes demasiados livros, e estes pensamentos que passam como bandos de pombos?

E que falatório é este, idealizado pela inclinação, espalhado com prazer?

Que significado têm estas tristezas e alegrias que enlaçam minha alma e abraçam o meu coração? Que olhares são estes que me fitam, vêem as minhas entranhas e se desviam dos meus padecimentos?

Que gritos são estes que lamentam os meus dias, e se rejubila de minha pequenez? Que juventude é esta, que brinca com minhas inclinações e escarnece de minha sensibilidade, esquecendo os afazeres de ontem, e alegrando-se com o folguedo do momento? Que mundo é este que me leva aonde não sei, e pára quando estou absorto?

E que terra é esta, com a boca aberta para tragar os corpos, e com o seio descoberto para a residência dos ambiciosos? Quem é este homem, que se contenta com a felicidade, se para obtê-la há o precipício? E que pede o beijo da vida e a morte esbofetea-o, e que compra um minuto de gozo com um ano de arependimento, que se entrega a Morfeu, e os sonhos chamam-no, e que caminha com as ribeiras da ignorância para o vale das trevas? Que são todas essas coisas, ó sapiência?…”

Respondeu: “Tú, ó humano, queres ver este mundo com olhar de divindade e queres compreender o mistério do mundo futuro com pensares humanos? Isto é o cúmulo do atrevimento! Vai para a campina e acharás a abelha volteando nas flores, e o gavião investindo contra a presa. Entra na casa de teu vizinho, verás a criança admirada com o clarão do fogo, e a mãe ocupada nos afazeres domésticos.

Sê como as abelhas, e não gastes os dias da primavera observando o gavião. Sê como o infante, alegra-te com o clarão do fogo, e deixa tua mãe com os seus afazeres.

Tudo o que vês, é e será para ti!

Os livros demasiados, os traços estranhos e os belos pensamentos são imagens das almas dos teus antepassados. As conversações que foram por ti abordadas, o que intervinha entre ti e teus irmãos, o homem, e as significações tristes e alegres – são sementes; semeou-as o passado no campo da alma, e o futuro as colherá.

A juventude que brinca com tuas inclinações abrirá a porta do teu coração para a luz entrar.

A Terra que está com a boca aberta libertará a tua alma do cativeiro. Este mundo que te arrasta é teu coração, e o teu coração é tudo de que desconfias, sabedor que este homem que tu julgas ignirante e pequeno, veio da parte de Deus para aprender a alegria pela tristeza e a ciência pelas trevas”

Deitou a sapiência a sua mão na minha fronte ardente e disse: “Vai para a frente e não pares nunca. Não receies os espinhos do caminho. A frente é a perfeição.”

Estudando esoterismo, sempre nos deparamos com o fato de que nem sempre podemos entender tudo o que nos cerca, que há um plano, uma visão, a qual não estamos preparados para ver ainda. Nesse texto de K. Gibran, o eu lírico pergunta à sapiência coisas que ele não entende com sua própria visão. Ele exigia uma resposta da sapiência, que pode ser considerada um símbolo de toda essa energia superior oculta e imcompreensível.

Vendo a resposta da sapiência, me pergunto até que ponto não devemos indagar o que nos turva o entendimento.  O ser humano é o único ser na Terra capaz de se perguntar “quem sou?”, “de onde vim?” e “para onde vou?”. Essas prguntas são o motor para tanta evolução social e tecnológica existentes. Talvez o erro do personagem do texto tenha sido tomar tudo isso com revolta, como se ele não estivesse inserido e não contribuisse de alguma forma para o mundo que questionou.

A análise do micro sem a análise do macro é perigosa, é cega. Tentar analisar o macro sem analisar sabiamente o micro, é igualmente cego. “Este mundo que te arrasta é teu coração, e o teu coração é tudo de que desconfias”: é necessário mudar-se, para mudar o mundo.

O autor fala muito em honrar os antepassados e faz alusão à reencarnação (“e as significações tristes e alegres – são sementes; semeou-as o passado no campo da alma, e o futuro as colherá”). Não consegui informações sobre sua religião ou orientação espiritual mas, a meu ver, seus textos são universais. Na wikipédia há a informação de que há muitas referências à Bíblia, além de ter escrito o livro Jesus, o Filho do Homem(1928).

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O primeiro livro de Khalil Gibran que tive o privilégio de ler foi O Profeta. Gostei tanto que procurei mais livros dele em sebos. Leio agora Lagrimas e Sorrisos. Khalil não queria que esse livro fosse publicado, só o foi a pedido de amigos dele, isto porque são textos escritos em sua juventude, cheios de sonhos e sentimentos de querer mudar o mundo. Neles estão o registro de suas primeiras experiencias com o amargo da vida e toda a revolta causada no poeta.

Foi um choque para mim encontrar-me com essa sua nova face, ainda mais quando se acostuma com o embalo de “sabedoria anciã” de O Profeta. Num dos textos de Lágrimas e Sorrisos há uma trecho compreensivelmente grifado pelo antigo dono do livro:

Só medito no que me disseste, naquele momento em que separaste de mim: “que todos os entes são depositários de lágrimas, e que têm de devolvê-las um dia”.

Do texto “As filhas do Mar”

Assim que conseguir um link com esse livro edito esse post! Aqui fica o link para O Profeta:

http://www.starnews2001.com.br/kahlil/profeta.pdf

urtado Rodrigues

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