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Posts Tagged ‘o retrato de dorian gray’

Pessoal, depois de longa data eu volto aqui com um post que considero, no mínimo, digno de reflexão. Estou lendo o livro O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, e me deparei com um conceito que até então não conhecia: o hedonismo.

Hedonismo

O hedonismo (do gregohedonê, “prazer”, “vontade”) é uma teoria ou doutrina filosófico-moral que afirma ser o prazer o supremo bem da vida humana. Surgiu na Grécia, e importantes representantes foram Aristipo de Cirene e Epicuro. O hedonismo filosófico moderno procura fundamentar-se numa concepção mais ampla de prazer entendida como felicidade para o maior número de pessoas.

O significado do termo em linguagem comum, bastante diverso do significado original, surgiu no iluminismo e designa uma atitude de vida voltada para a busca egoísta de prazeres materiais. Com esse sentido, “hedonismo” é usado de maneira pejorativa, visto normalmente como sinal de decadência.

Lord Henry Lotton é o personagem que encarna essa mentalidade no livro. É impressionante como suas palavras, venenosas e sedutoras ao mesmo tempo, ditam as ações e posturas de Dorian Gray  – o personagem central do livro – em toda sua vida. Aqui deixo algumas falas, a maioria de Lord Henry , que ilustram o pensamento hedonista e cínico:

“A insinceridade é algo assim tão terrível? Creio que não. É um simples método por que podemos multiplicar nossas personalidades.”

 

‎”Sentia que as conhecia todas, aquelas figuras terríveis, singulares, que atravessaram o palco do mundo e fizeram do pecado algo tão maravilhoso e do mal, algo tão cheio de sutileza.”

 

“O motivo por que tanto gostamos de pensar bem dos outros é que todos nós temos medo de nós mesmos. A base do otimismo é o terror puro. Pensamos que somos generosos, pois creditamos ao próximo a posse das virtudes propensas a nos beneficiar. Enaltecemos o banqueiro para que possamos sacar a descoberto, e descobrimos boas qualidades no salteador  de estradas na esperança de que nos poupe os bolsos. […] Tenho o maior desprezo pelo otimismo. E, quanto a estragar vidas, a única vida que se estraga é aquela da qual se apreende a evolução.”

 

“Ser generoso é estar em harmonia com nosso próprio ser. Estar em discórdia é sermos forçados a estar em harmonia com os outros. Nossa própria vida… eis o que é importante. Quanto à vida de nosso próximo, se alguém deseja ser gatuno, ou puritano, podemos, a respeito dele, apenas alardear nossos pontos de vista morais, mas não temos nada com ele. Além disso, o individualismop apresenta, na verdade, objetivo mais elevado. A moralidade moderna consiste em aceitar o padrão da idade de uma pessoa. Para o homem de cultura, acredito eu, aceitar o padrão da própria idade é uma forma da mais grosseira imoralidade.”

Apesar de sedutores, estes pensamentos são extremamente simplistas. Não consideram as inúmeras facetas inerentes ao ser humano, o reduzem à escravidão pelo prazer. A busca pelo prazer, somente, cega o discernimento e torna a vida vazia e mais efêmera do que já é. Acho que já coloquei essa frase num post aqui, mas não custa repetí-la:

“Assim cavalgam no tempo os dias e os anos e atrás deles segue o homem empunhando as rédeas dos seus desejos e paixões. Não sente a suavidade da brisa, nem a força do temporal. E se um infeliz tem a sorte de escapar de seu cárcere e fala do zéfino e do furacão, todos o olham com compaixão, porque o crêem alienado. Então ele se retira, lamentando-se: ‘Gritei e ninguém me ouviu.’ Pois bem uma vez que temem o ar puro, deixemos que se asfixiem em sua prisão putrefata e nauseabunda.” do livro Adonai

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