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Posts Tagged ‘Política’

Estava no avião, indo para a Bahia… nessas horas, não há melhor companhia que um bom livro. E tive sorte na escolha! O que levei foi o “Conversas sobre Política” do Rubem Alves, com vários pequenos textos sobre o assunto. A visão do autor ora pessimista, ora esperançosa, nos intriga e nos faz refletir, principalmente nesta época de eleições, sobre onde realmente está a raiz dos males de nossa sociedade brasileira. Não são apenas maus políticos: ele traz à tona o indivíduo moral x sociedade imoral, os maus votos e o afastamento dos ‘políticos por vocação’ da política, por causa dos excrementos de ‘políticos por profissão’. Os questionamentos também se estendem para o dia-a-dia, nos lembrando que nós, seres humanos, somos inatos políticos do cotidiano.

Deixo um texto do livro aqui para vocês:

De todas as vocações, a política é a mais nobre. Vocação, do latim vocare, quer dizer chamado. Vocação é um chamado interior de amor: chamado de amor por um ‘fazer’. No lugar desse ‘fazer’ o vocacionado quer ‘fazer amor’ com o mundo. Psicologia de amante: faria, mesmo que não ganhasse nada.
‘Política’ vem de polis, cidade. A cidade era, para os gregos, um espaço seguro, ordenado e manso, onde os homens podiam se dedicar à busca da felicidade. O político seria aquele que cuidaria desse espaço. A vocação política, assim, estaria a serviço da felicidade dos moradores da cidade.

Talvez por terem sido nômades no deserto, os hebreus não sonhavam com cidades: sonhavam com jardins. Quem mora no deserto sonha com oases. Deus não criou uma cidade. Ele criou um jardim. Se perguntássemos a um profeta hebreu ‘o que é política?’, ele nos responderia, ‘a arte da jardinagem aplicada às coisas públicas’.

O político por vocação é um apaixonado pelo grande jardim para todos. Seu amor é tão grande que ele abre mão do pequeno jardim que ele poderia plantar para si mesmo. De que vale um pequeno jardim se à sua volta está o deserto? É preciso que o deserto inteiro se transforme em jardim.

Amo a minha vocação, que é escrever. Literatura é uma vocação bela e fraca. O escritor tem amor mas não tem poder. Mas o político tem. Um político por vocação é um poeta forte: ele tem o poder de transformar poemas sobre jardins em jardins de verdade. A vocação política é transformar sonhos em realidade. É uma vocação tão feliz que Platão sugeriu que os políticos não precisam possuir nada: bastar-lhes-ia o grande jardim para todos. Seria indigno que o jardineiro tivesse um espaço privilegiado, melhor e diferente do espaço ocupado por todos. Conheci e conheço muitos políticos por vocação. Sua vida foi e continua a ser um motivo de esperança.

Vocação é diferente de profissão. Na vocação a pessoa encontra a felicidade na própria ação. Na profissão o prazer se encontra não na ação. O prazer está no ganho que dela se deriva. O homem movido pela vocação é um amante. Faz amor com a amada pela alegria de fazer amor. O profissional não ama a mulher. Ele ama o dinheiro que recebe dela. É um gigolô.

Todas as vocações podem ser transformadas em profissões O jardineiro por vocação ama o jardim de todos. O jardineiro por profissão usa o jardim de todos para construir seu jardim privado, ainda que, para que isso aconteça, ao seu redor aumente o deserto e o sofrimento.

Assim é a política. São muitos os políticos profissionais. Posso, então, enunciar minha segunda tese: de todas as profissões, a profissão política é a mais vil. O que explica o desencanto total do povo, em relação à política. Guimarães Rosa, perguntado por Günter Lorenz se ele se considerava político, respondeu: ‘Eu jamais poderia ser político com toda essa charlatanice da realidade… Ao contrário dos ‘legítimos’ políticos, acredito no homem e lhe desejo um futuro. O político pensa apenas em minutos. Sou escritor e penso em eternidades. Eu penso na ressurreição do homem.’ Quem pensa em minutos não tem paciência para plantar árvores. Uma árvore leva muitos anos para crescer. É mais lucrativo cortá-las.

Nosso futuro depende dessa luta entre políticos por vocação e políticos por profissão. O triste é que muitos que sentem o chamado da política não têm coragem de atendê-lo, por medo da vergonha de serem confundidos com gigolôs e de terem de conviver com gigolôs.

Escrevo para vocês, jovens, para seduzi-los à vocação política. Talvez haja jardineiros adormecidos dentro de vocês. A escuta da vocação é difícil, porque ela é perturbada pela gritaria das escolhas esperadas, normais, medicina, engenharia, computação, direito, ciência. Todas elas, legítimas, se forem vocação. Mas todas elas afunilantes: vão colocá-los num pequeno canto do jardim, muito distante do lugar onde o destino do jardim é decidido. Não seria muito mais fascinante participar dos destinos do jardim?

Acabamos de celebrar os 500 anos do descobrimento do Brasil. Os descobridores, ao chegar, não encontraram um jardim. Encontraram uma selva. Selva não é jardim. Selvas são cruéis e insensíveis, indiferentes ao sofrimento e à morte. Uma selva é uma parte da natureza ainda não tocada pela mão do homem. Aquela selva poderia ter sido transformada num jardim. Não foi. Os que sobre ela agiram não eram jardineiros. Eram lenhadores e madeireiros. E foi assim que a selva, que poderia ter se tornado jardim para a felicidade de todos, foi sendo transformada em desertos salpicados de luxuriantes jardins privados onde uns poucos encontram vida e prazer.
Há descobrimentos de origens. Mais belos são os descobrimentos de destinos. Talvez, então, se os políticos por vocação se apossarem do jardim, poderemos começar a traçar um novo destino. Então, ao invés de desertos e jardins privados, teremos um grande jardim para todos, obra de homens que tiveram o amor e a paciência de plantar árvores à cuja sombra nunca se assentariam.

Boas reflexões!

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Na reportagem da Veja dessa semana sobre o pré-sal, a revista diz que Lula tem impulsionado sua candidata com um “discurso retógrado-nacionalista de que só o PT protege o petróleo e outras riquezas do país”, utilizando slogans ufanistas como “o Brasil é a quinta potência”.

Os partidos de direita de nossa atualidade nunca foram muito a favor do nacionalismo, tanto que na maioria das escolas brasileiras não se tem mais a hora cívica. Pode-se entender esse fato  superficialmente como sendo reação à obrigatoriedade do amor à pátria trazida pela ditadura militar. Porém, os que condenam um mínimo de nacioanalismo esquecem-se que sem amor à pátria, o culto ao egocentrismo se torna maior dentro da sociedade, dificultando a disseminação de um sentimento de “um por todos, todos por um”, daquela fraternidade na qual todos trabalham em prol de um bem maior, para um país e  futuro melhores.

Os perigos do nacionalismo a meu ver residem em uma sociedade pensar ser melhor que outras e querer subjulgar estas, além de poder servir de instrumento de alienação do povo, fazendo-o acreditar que tudo o que o Estado faça está correto. Faz-se então necessário conceituar nacionalismo:

O nacionalismo é um sentimento de valorização marcado pela aproximação e identificação com uma nação, mais precisamente com o ponto de vista ideológico.

Costuma diferenciar-se do patriotismo devido à sua definição mais estreita. O patriotismo é considerado mais uma manifestação de amor aos símbolos do Estado, como o Hino, a Bandeira, suas instituições ou representantes. Já o nacionalismo apresenta uma definição política mais abrangente Por exemplo: da defesa dos interesses da nação antes de quaisquer outros e, sobretudo da sua preservação enquanto entidade, nos campos linguístico, cultural, etc., contra processos de destruição identitária ou transformação.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Nacionalismo

O nacionalismo então pode ser usado como instrumento anti-imperialista em relação à nações dominadoras. A onda nacionalista na América Latina me parece um reflexo da tentativa norte-americana de obter influência no subcontinente, uma vez que aqui se encontram grandes reservas naturais de matéria-primas. Porém, sem o crescimento de uma identidade conjunta sul-americana, nenhum nacionalismo resistirá ao apelo econômico da potência estadunidense.

O grande erro ao se considerar o nacionalismo é achar que esse sentimento de ser melhor que outras nações faz parte de seu conceito. Esse sentimento extremamente prejudicial é de motivação puramente política e conjuntural. É como o socialismo/comunismo: o verdadeiro mesmo só existiu no papel.

Temos conceitos e teorias maravilhosas, porém as falhas no caráter humano nos deixam longe da possibilidade de vê-las realmente acontecendo. Não sou à favor de estatizar empresas brasileiras que são hoje, privadas, como mencionou Lula em relação à Vale. Porém, deixar tão grande potencial de crescimento – digo potencial porque ainda não há certeza sobre as reais dimensões de exploração do pré-sal – em mãos estrangeiras é muita falta de brasilidade. Simplesmente criticar atitudes tidas como nacionalistas não mudam o foco do problema: riquezas brasileiras entregadas à empresas de outros países, estes que infelizmente muitas vezes querem nos subjulgar.

Neste post não quero ser partidária da direita ou esquerda brasileiras. Podemos ver nitidamente as grandes falhas do PT em nosso governo, um dos mais expostamente corruptos que já vimos. Quis sumariamente oferecer uma visão sobre esses antigos conceitos que agora resurgem no atual governo.

Uma boa semana a todos! 😉

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Vale a pena relembrar o arraso que foi o direito de resposta do Brizola na rede Globo, em pleno jornal nacional…

Brizola: ladrão ou não, corrupto ou não, deu uma BELA de uma resposta!!!!

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